Rafael Andrade
Tubarão

Em meio às comemorações dos eleitos e à tristeza dos que não conquistaram a maioria dos votos, aproximadamente 15 pessoas, todos moradores das comunidades Guarda margem esquerda e direita, em Tubarão, um grave crime eleitoral é investigado.

Segundo denúncia de eleitores, um candidato de Tubarão e os seus cabos eleitorais teriam pedido votos sábado e no dia do pleito em troca de vales alimentação. “O documento tinha até validade. Quando fomos até o mercado informado, não podemos comprar. Era falso”, lamenta uma eleitora.

Ela informa que centenas de vales, cada um no valor de R$ 50,00, foram distribuídos a famílias de baixa renda. O local indicado para as compras é o Supermercado Ofertex, na SC-440, na localidade do KM-60. Silvanio Geremias, gerente do estabelecimento, confirma que os vales entregues aos eleitores são falsos.

“Há muita diferença entre o nosso vale e este. Outra questão importante é que não entregamos vale a ninguém, somente marcamos o valor da compra do cliente, que paga no fim do mês, e guardamos em uma pasta. Usaram o nome do mercado de forma totalmente ilegal e isto é um crime gravíssimo”, alerta Silvanio.

Ele registrou um boletim de ocorrência ontem de manhã, na Central de Polícia de Tubarão. O político citado pelos eleitores e pelos funcionários do mercado deve ser convocado para depor ainda esta semana. Caso seja comprovado o crime eleitoral de compra de voto e o estelionato, o candidato pode ser preso e responder em regime fechado por até nove anos, além de perder os direitos políticos por tempo indeterminado.

Investigação
Se condenado, o candidato que teria comprado votos de mais de cem pessoas em Tubarão, fim de semana, além de preso, terá que pagar multa à justiça eleitoral. O caso segue sob investigação da Polícia Civil. O delegado Damásio Mendes Brito, da Central de Polícia, deve instaurar inquérito hoje. O Ministério Público e os dois juízes eleitorais da comarca de Tubarão também podem convocar o acusado e outros nomes citados na denúncia.

Representantes da gráfica que imprimiu os vales alimentação falsos também poderão ser convocados a depor. “As evidências indicam um grave crime eleitoral. E não somente o político que pediu votos poderá se dar mal”, alerta Damásio.