Uma das cenas de violência registradas neste ano em Laguna, quando um homem de 62 anos foi atingido por tiros no portão de sua residência, no bairro Vila Vitória  -  Foto:Divulgação/Notisul
Uma das cenas de violência registradas neste ano em Laguna, quando um homem de 62 anos foi atingido por tiros no portão de sua residência, no bairro Vila Vitória - Foto:Divulgação/Notisul

Rafael Andrade
Laguna

Menos drogas e armas nas ruas, mais suspeitos presos e adolescentes apreendidos. Assim é a rotina diária de trabalho das polícias Civil e Militar de Laguna, a segunda maior cidade da região, com cerca de 50 mil habitantes. A prevenção sempre é a principal arma do poder público, mas, após um número crescente de assassinatos (12) e tentativas de homicídios (13) somente neste ano, a atenção foi redobrada pelas autoridades no município.

O delegado regional da Polícia Civil, José Davi Machado, que tem quase quatro décadas de experiência na corporação, e responde temporariamente pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) na Terra de Anita, garante que é preciso dar uma resposta rápida à sociedade. “Os dados demonstram pouco mais de 80% dos crimes contra a vida (homicídios e homicídios tentados) solucionados. Com a prisão de mais um envolvido, de 34 anos, na morte de Fernando Medeiros Pacheco, o Nonô, no último dia 1º, na Malvina, estes índices alcançam a casa dos 85% em 25 inquéritos. Segundo a polícia, praticamente todos os casos têm envolvimento com tráfico de drogas e, principalmente, com facções criminosas que atuam em Laguna. “A maioria das ‘vítimas’ tinha ou tem participação ativa no Primeiro Comando da Capital (PCC) e no Primeiro Grupo Catarinense (PGC)”, informa um investigador. O PCC foi criado na capital paulista e ramificou-se em praticamente todos os estados do país. Já o PGC surgiu na capital barriga-verde e está atraindo a atenção de mais integrantes, até mesmo da facção rival. “Este é o grande problema que ocorre em Laguna hoje”, lamenta um policial. O PCC perde forças e a ordem, conforme apurado em investigações, era dizimar todos que apoiavam a quadrilha paulista. Ambos os grupos iniciaram em penitenciárias e só podem ser coordenados por ‘chefões’ encarcerados e sentenciados. Ou seja, a maioria das ordens de quem deve viver ou morrer parte de trás das grades.

Informações extraoficiais indicam que duas regiões de Laguna ‘brigam’ pelo comando do tráfico de drogas na cidade: a Malvina, que supostamente teria uma ligação maior com o PCC, contra as barreiras interpostas por integrantes do PGC que atuam na localidade conhecida como Alagamar, na região do bairro Vila Vitória, um dos mais populosos.

Polícias Civil e Militar realizaram operações nesta semana
As ações organizadas e colocadas em prática pelas polícias Civil e Militar de Laguna enfraquecem, a cada dia, as facções criminosas que notadamente instalaram-se no município. A Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Laguna chegou ao suspeito de cometer o homicídio de Nonô, no último dia 1º, após menos de um mês do crime. “As investigações ainda continuam para a identificação dos outros dois coautores, mas elas indicam que os fatos ocorreram por disputas entre traficantes pelos pontos de venda de drogas”, informa um policial civil. O suspeito foi indiciado como coautor do crime de homicídio qualificado, previsto no artigo 121, §2º, incisos “II”, “III”, e “IV” do Código Penal, bem como no artigo 2º da Lei nº 12.850/2013 (integrar organização criminosa). Ele foi encaminhado à Unidade Prisional Avançada (UPA) de Laguna, onde permanece à disposição da justiça.

As investigações contaram com o apoio da população, a qual repassou informações fundamentais para o deslinde do caso. “Destacamos que já foram cumpridos dez mandados de prisões e quatro mandados de busca e apreensão de adolescentes coautores dos homicídios ocorridos somente neste ano”, informa o policial. No total, foram cumpridos pelos agentes da DIC 41 mandados de prisão e de busca e apreensão de adolescentes pelos mais diversos crimes e atos infracionais em 2016.

Também nesta semana, mais precisamente na manhã desta quinta-feira, na Praia da Galheta, a 26ª arma de fogo foi retirada das ruas pela Polícia Militar de Laguna – somente neste ano. Em 2015, os militares, que têm como comandante o tenente-coronel Jefer Francisco Fernandes, conseguiram apreender 45 armas de fogo. Nesta operação de quinta, três integrantes do PGC acabaram detidos, entre eles um adolescente de 17 anos, que pode estar envolvido em recentes homicídios no município. Um dos envolvidos, de 33 anos, natural de Blumenau, estava foragido da Colônia Penal Agrícola, em Palhoça. “A Polícia Civil de Blumenau entrou em contato conosco nesta sexta-feira para informar que um Clube de Tiro de Blumenau foi alvo de um furto. Além da arma apreendida na Galheta, outras foram levadas por este suspeito preso em Laguna. Há informações que possa estar envolvido em homicídios ocorridos aqui”, suspeita o delegado Flávio Gorla, titular da Central de Plantão Policial (CPP) da Cidade Juliana. 

O outro detido nesta quinta pela PM também era foragido da Colônia Penal Agrícola. Tem 40 anos. Ambos são integrantes do Primeiro Grupo Catarinense (PGC). Durante a diligência, foram encontradas uma arma de fogo calibre 22, lunetas, celulares, dinheiro, 19 munições de fuzil, objetos provenientes de furto/roubo e drogas. Pouco mais de 1,2 quilo de maconha e 1,5 quilo de crack estavam com os criminosos. “Eles foram enquadrados por posse de arma de fogo de uso permitido e de uso restrito, posse de munição de uso permitido e de uso restrito, tráfico de entorpecentes, organização criminal e documento falso (estelionato)”, informa Gorla. Logo após o flagrante, foram escoltados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Tubarão e PPT de Laguna para o Presídio de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis. A ação da PM ocorreu um dia depois de uma operação da Polícia Civil da Cidade Juliana e da Cidade Azul em uma casa de um aposentado de 65 anos colecionador de armas e munições, na Praia da Tereza, em Laguna, quando seis pistolas, revólveres e espingardas foram apreendidas. Ele chegou a ser levado à UPA, mas saiu cerca de duas horas depois após pagar fiança arbitrada pelo judiciário no valor de R$ 4,4 mil.


Helicóptero Águia, da PM, na Operação na Galheta
Fotos: Divulgação/Notisul