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Saúde e Equilíbrio - Fernando Viégas Delgado

Trastorno do pânico

Publicado em 12/02/2019 00h13

Que fevereiro.... Tinha outro assunto para escrever para vocês, mas quando achei que mais nada iria acontecer nesse mês de Brumadinho, enchentes e o incêndio no centro de treinamento do Flamengo, me deparo com mais uma notícia triste, a queda de helicóptero que vitimou o grande jornalista Ricardo Boechat. Nesse fim de semana presenciei a agonia de famílias e amigos do jovem que se afogou no canal em Laguna. Nao há como não se contaminar com essas tristezas retratadas todos os dias em nossas mídias sociais e telejornais. Estamos prontos a nos blindar ou reagimos de modo mais intenso a esses episódios. A maioria de les nós absorve.

Outros podem reagir patologicamente. Uma das doenças onde esse impacto aparece é no Transtorno do Pânico. Chamada incorretamente de síndrome, o transtorno do pânico é uma doença que afeta cerca de 1,6% da população mundial, para cada homem, duas mulheres sofrem com o quadro  e impacta seriamente a qualidade de vida e as relações sociais. Esse problema é caracterizado por recorrentes episódios de ansiedade ou medo intenso quando não há perigo real ou causa aparente – o resultado são reações físicas graves. E qualquer um pode estar suscetível a passar por isso.

Embora os ataques de pânico não ameacem a vida, eles podem ser muito assustadores. O indivíduo sente que está perdendo o controle, tendo um infarto ou até mesmo morrendo. A crise ainda é marcada por temor ou desconforto intenso, palpitações, tremores, dificuldade de respirar, sudorese e sensação de que irá desmaiar ou ‘enlouquecer’. Tudo isso acompanhado de um grave episódio de ansiedade. Há pessoas que têm apenas um ou dois ataques ao longo da vida e o problema desaparece. Porém, muitas vezes eles se tornam recorrentes e inesperados e, por isso, o indivíduo passa longos períodos com apreensão constante de outro surto. Daí começa a evitar situações que disparariam os sintomas, como eventos sociais e atividades profissionais. É aí que vem a suspeita de que tenha desenvolvido a doença. O diagnóstico é clínico, ou seja, leva em consideração a história do paciente e os sintomas.

O início é abrupto e a frequência, variável. É possível ocorrer mais de uma crise por semana, com duração de 10 a 40 minutos. Durante o episódio é comum a impressão de irrealidade ou despersonalização, como se a pessoa não estivesse de fato ali. Momentos de estresse, em particular relacionados com perdas ou acontecimentos com repercussão nacional, são gatilhos para a primeira crise. Mas há condições que aumentam o risco de o paciente desenvolver pânico. Abuso sexual e físico, tabagismo, neuroticismo (uma tendência de ampliar as emoções negativas, que é característica do temperamento de algumas pessoas) e fatores genéticos são exemplos.
Assim, como boa parte dos problemas psiquiátricos, o transtorno não tem cura. Porém, com tratamento constante, os sintomas diminuem dentro de algumas semanas e até desaparecem com o passar dos meses. Ele ajuda a superar os medos daquilo que se evita por causa dos ataques. Mas os resultados levam tempo e exigem esforço. O psiquiatra é quem vai bater o martelo sobre a maneira de tratar a doença. A psicoterapia ajuda a compreender os surtos e a lidar com eles. Além disso, podem ser indicados medicamentos antidepressivos. Ferramentas complementares, como técnicas de respiração profunda e de relaxamento (ioga, por exemplo), prática de atenção plena (conhecida como mindfulness) e atividade física também dão uma força.

É importante ficar longe de cafeína, álcool, cigarro e drogas recreativas, além de manter um sono adequado. Os portadores do transtorno se sentem culpados, envergonhados e desmoralizados o que só piora seu desempenho social, profissional e escolar. De olho nisso, o suporte familiar é essencial para o paciente compreender a necessidade do auxílio profissional para lidar com o pânico e as suas limitações.


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