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Saúde e Equilíbrio - Fernando Viégas Delgado

Horário de verão - e o meu sono?

Publicado em 11/12/2018 00h04

A qualidade do sono está diretamente ligada à qualidade de vida no ser humano. O sono é um processo reversível fisiológico comum a todos os seres vivos praticamente. Um processo de sono normal é caracterizado pela redução do nível de consciência, da atividade motora e do metabolismo do indivíduo. Estima-se que as pessoas passem, aproximadamente, um terço da vida dormindo, mas a razão pela qual dormimos não é completamente compreendida. Para compreender um sono normal, é importante saber que o ato de dormir faz parte do ritmo biológico de cada indivíduo e que obedece a um ritmo circadiano, isto é, renova-se a cada 24 horas e ao qual chamamos ciclo sono-vigília. O ciclo sono-vigília é regulado pela quantidade de luz ao qual somos expostos ao longo do dia, por intermédio de um hormônio chamado melatonina. A ausência de luz tem um papel muito importante na secreção da melatonina. Assim, durante a noite, a glândula pineal, localizada no cérebro, percebe a informação de que não há mais luz e assim inicia a liberação de melatonina, que é capaz de induzir o início do sono. Por isso é importante que próximo ao momento de dormir não se esteja exposto à luz, pois a presença dela inibe a secreção de melatonina. Encontra-se aqui um grande problema do mundo contemporâneo: a luz artificial. A exposição luminosa presente no ambiente e em telas de computadores, tablets e telefones celulares, interfere diretamente no ciclo biológico porque bloqueia a secreção de melatonina, impedindo a indução apropriada do sono. O sono inicia a partir do momento em que, ao fecharem-se os olhos, ocorre a lentificação no padrão da atividade elétrica cerebral. Este intervalo é chamado de latência do sono. A latência do sono em indivíduo normal é de cerca de 10 a 30 minutos. Suspeita-se de quadros de insônia, por exemplo, quando a latência para início do sono medida pela polissonografia é maior do que 30 minutos. O sono normal é um processo ativo, no qual se observa um padrão cíclico de atividade cerebral que se repete a cada 90 a 120 minutos e envolve duas grandes fases que se alternam durante a noite: Rapid Eye Movement (REM) e não-REM. Após 8 horas de sono, por exemplo, um indivíduo experimenta cerca de 5 a 6 ciclos de sono. Após o início do sono, a atividade cerebral vai se letificando. A transição entre a vigília e o sono ocorre no estágio 1 da fase não-REM. À medida em que ocorre a lentificação das ondas cerebrais, o sono vai se aprofundando até atingir o estágio 3 da fase não-REM. Este estágio é conhecido como sono profundo, ou sono de ondas lentas, caracterizado por uma baixa atividade cerebral, redução do metabolismo corporal, da pressão arterial, relaxamento motor e liberação do hormônio do crescimento (GH).

Após o sono de ondas lentas, costuma iniciar-se a fase REM.  Como o próprio nome diz, é a fase que envolve os movimentos rápidos dos olhos. Apesar da movimentação ocular, essa fase é caracterizada por atonia de toda musculatura corporal e intensa atividade cerebral. É durante o sono REM em que predominam os sonhos, a consolidação da memória de curto prazo e aprendizado. A ingestão de bebida alcoólica e alguns medicamentos como benzodiazepínicos e antidepressivos tricíclicos podem inibir o sono REM, diminuindo a qualidade do sono.

Nem todo indivíduo precisa da mesma quantidade de sono, ou seja, cada pessoa e cada fase da vida do ser humano possuem características próprias. A duração das fases mais profundas do sono muda ao longo da vida e isto afeta o tempo total de sono ao comparar crianças, adultos e idosos. O estágio 3 da fase não-REM corresponde a cerca de 10 a 20% do tempo total de sono e diminui gradativamente com o envelhecimento. A fase REM chega a durar 50% do tempo total de sono de um recém-nascido e decresce para próximo de 20% ao redor dos cinco anos de idade, permanecendo relativamente estável com o passar do tempo. Em média, um recém-nascido costuma dormir 18 horas por dia e não tem ciclo sono-vigília bem estabelecido. Uma criança pré-escolar requer de dez a 12h de sono, um adolescente, nove horas, e um adulto, de sete a oito horas, diminuindo conforme o envelhecimento. Isto, no entanto, não é uma regra, pois as necessidades de sono variam conforme a genética. Desta forma, existem indivíduos considerados “grandes dormidores”, classificados pela Medicina do Sono como adultos que necessitam de mais de nove horas por noite; e outros, denominados “pequenos dormidores”, ou seja, adultos que necessitam de menos de seis horas de sono por noite para sentirem-se renovados. Há também a preferência por horários, classificando os “matutinos”, cujo maior pico de atividade cognitiva é pela manhã e, por esta razão, preferem dormir cedo e acordar cedo. Já os “vespertinos” apresentam comportamento de sono oposto e preferem dormir e acordar em horários mais tardios. Sobra ainda a maioria, os “indiferentes”, os quais necessitam apenas de um horário regular para o início e término do sono. Dormir bem é tão importante quanto ter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física. Ao sujeito saudável, cabe a conscientização de que uma boa noite de sono deve ser primordial no seu dia a dia, pois é uma das formas de obter qualidade de vida, tendo a saúde sempre em primeiro lugar.

Dicas de saúde

O fonoaudiólogo é o profissional responsável pelo diagnóstico que comprometa a comunicação vocal. É por meio da fonoaudiologia que podemos constatar problemas e dificuldades relacionadas às funções auditivas, cognitivas, oro-musculares entre outras do mesmo âmbito. Este profissional realiza também o papel de “ensinar a falar”, pois muitas vezes essas complicações podem surgir em crianças que ainda não conseguem pronunciar suas primeiras palavras, ou que tenham dificuldades com a sucção, deglutição ou qualquer impedimento oral. O fonoaudiólogo atende desde crianças até idosos com esses tipos de problemas, ou alterações neurológicas que podem surgir com o tempo.

Datas Comemorativas da Saúde
• 09/12 - Dia do Fonoaudiólogo
• 09/12 - Dia da Criança com Deficiência
• 13/12 - Dia do Cego

Dicionário Médico
Polissonografia: exame do sono é um teste multiparamétrico utilizado no estudo do sono e de suas variáveis fisiológicas. É geralmente realizada à noite e registra as amplas variações biofisiológicas que ocorrem durante o sono. O polissonograma resultante do teste monitora três parâmetros principais: o eletroencefalograma (EEG), o eletro-oculograma (EOG) e o eletromiograma sub-mentoniano (EMG). Outros parâmetros, como fluxo aéreo nasal e bucal, oximetria, eletrocardiograma, movimentos respiratórios, capnografia, sensores de movimento nos membros inferiores e o registro em vídeo do exame, contribuem para o diagnóstico de doenças relacionadas ao sono. O exame de polissonografia é feito em pacientes com ronco, apneia do sono, com dispneia à noite, com sonolência excessiva durante o dia, com sensação de que o sono não recarrega as energias, com problema de memória, com hipertensão grave ou com sono agitado. A polissonografia é o padrão-ouro para diagnóstico de distúrbios do sono em adultos, adolescentes e crianças. Em Tubarão,a Clínica Pró-Vida dispõem de laboratório. Normalmente indicado por pneumologistas e neurologistas.


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