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Saúde e Equilíbrio - Fernando Viégas Delgado

Dor no ombro - tendinopatias

Publicado em 20/11/2018 00h33

Dor no ombro - tendinopatias

A dor no ombro, ou síndrome do ombro doloroso, não escolhe sexo, condição social ou mesmo idade. Ela é a queixa de cerca de 20% dos pacientes que procuram as clínicas ortopédicas e de fisioterapia. O problema pode ter origem em qualquer uma das várias estruturas que formam o ombro, a articulação de maior mobilidade do corpo humano. Mas são as lesões crônicas dos tendões, as chamadas tendinopatias, as responsáveis por nada menos que 40% das ocorrências.

As causas são variadas, entre elas encurtamento muscular, falhas posturais e de alongamento, formato do osso acrômio. Atividades profissionais que exigem movimentos repetitivos dos braços acima da linha dos ombros fazem de seus executores alvos fáceis de tendinopatias. É o caso de pintores de parede, cabeleireiras e pessoas que precisam frequentemente pegar objetos pesados em locais elevados.

Esportes como tênis, natação, vôlei, handebol e pólo aquático também predispõem seus praticantes a lesões. E há, ainda, uma estreita relação do problema com o tabagismo, comprovada por estudos. Isso porque o hábito de fumar leva à redução do calibre dos vasos sanguíneos e, consequentemente, à baixa vascularização, o que pode favorecer as tendinopatias do ombro.

O problema manifesta-se geralmente quando a meia-idade se aproxima, pelo desgaste natural dos tendões. As tendinopatias relacionadas ao envelhecimento dos tendões atingem aproximadamente 2% da população mundial. A quase totalidade das tendinopatias ocorre no manguito rotador, um conjunto de quatro músculos e tendões (supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular) responsáveis pela movimentação e estabilidade da principal articulação do ombro (a articulação glenoumeral). Cerca de 90% das lesões do manguito rotador afetam o tendão supraespinal que, por sua localização, é mais sujeito a pinçamentos e impactos, além de estar em área menos vascularizada. A dor quase sempre é vaga, podendo irradiar para o braço e pescoço, e aumenta com a repetição de movimentos.

Outra importante característica é a dor noturna, que fica mais intensa com a pessoa deitada, independentemente da posição. No estágio 1 da tendinopatia, que em geral acomete jovens pela prática de atividade esportiva, o tratamento clínico, com repouso do ombro, aplicação de gelo e analgesia costuma ser eficaz na maioria dos casos. Em pacientes jovens, é recomendável a realização de exames complementares para diagnóstico diferencial de tendinite calcária (deposição de cálcio dentro dos tendões), mais frequente nessa faixa etária. Dos 40 aos 50 anos, tornam-se mais comuns as tendinopatias do tipo 2, resultantes de fibroses de processos anteriores, tornando indicado o tratamento fisioterápico e medicamentoso com anti-inflamatórios.

A partir dos 50 anos, cresce a incidência de rupturas parciais e totais de um ou mais tendões. São as tendinopatias do tipo 3. Mesmo nessas situações, a conduta clínica pode ser eficiente em grande parte dos casos, a cirurgia torna-se a conduta recomendada quando a lesão atinge mais de 50% da espessura do tendão e não há boa resposta ao tratamento clínico. O tratamento inadequado das tendinopatias, nesse estágio, tendem a evoluir para problemas mais graves como a artrose, doença que provoca dores, perda de força muscular e limitação de movimentos.

A artroscopia, intervenção cirúrgica minimamente invasiva, é o recurso mais utilizado para a reparação dos tendões. Com a evolução da técnica, o procedimento vem se tornando cada vez mais cômodo para o paciente. Três ou quatro incisões com quatro a cinco milímetros cada possibilitam ao cirurgião recolocar e fixar o tendão no ponto em que se soltou, remover as lesões e os processos inflamatórios. Em geral, o procedimento dura cerca de uma hora, e o tempo de internação não costuma superar um dia.

Tão importante quanto a cirurgia é a reabilitação pós-operatória para o êxito da recuperação. O uso de tipoia será necessário durante três a seis semanas. Aplicação de gelo e trabalho fisioterápico, visando a cicatrização, recuperação dos movimentos e da força muscular, começam a partir do 15º dia, estendendo-se por um período de três a quatro meses, chegando a até cinco meses no caso de atletas. Além disso, aprender a executar, de forma adequada, movimentos com potencial para causar lesões e realizar um trabalho de aquecimento e alongamento de todos os grupos musculares do ombro, é a chave para evitar novas ocorrências.

A cirurgia torna a anatomia do ombro melhor do que era antes da lesão. E, com um trabalho de reabilitação pós-operatória bem executado, os resultados são excelentes em mais de 90% dos casos. Ou seja, o indivíduo se livra da dor e do desconforto e, em poucos meses, pode retomar todas as atividades de rotina. Sem dúvida, são recursos importantes que a medicina oferece, bem-vindos para todos os pacientes - inclusive aqueles que, devido à profissão ou prática esportiva, continuarão exigindo uma boa performance dos seus ombros.


Dicas de saúde

- Na prática de esporte, manter a postura mais ereta possível. No início pode ser difícil, mais com o decorrer do treinamento isso vai se tornando automático.
- Cuidado ao dirigir e no trabalho, pois muitas vezes a dor que se manifesta na prática esportiva vem na verdade de uma má postura em atividades diárias. É importante se posicionar de modo que os ombros não fiquem elevados ou caídos para frente.


Calendário

• 20 de novembro: Dia Nacional do Biomédico
• 21 de novembro: Dia Nacional da Homeopatia
• 21 de novembro: Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil


Dicionário de Medicina
Bursite: Inflamação de bolsas com conteúdo líquido que protegem as articulações. Mais comum no ombro, podendo ocorrer também em outras articulações, como joelho e cotovelo.
Biomédico: Curso de nível superior com duração de cinco anos que atua nas pesquisas das causas e a cura de doenças dos seres humanos. Trabalha em análises clínicas, biossegurança, embriologia, genética, microbiologia e saúde pública, entre outras áreas afins.


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