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Saúde e Equilíbrio - Fernando Viégas Delgado

Placenta - um órgão temporário

Publicado em 06/11/2018 00h10

A placenta é um órgão que só existe durante a gestação e tem diversas funções, como aconchegar o bebê dentro do útero, transferir nutrientes e oxigênio do sangue da mãe para o bebê e secretar alguns hormônios fundamentais para esta fase. Entretanto, durante a gravidez podem ocorrer alterações indesejadas da placenta, trazendo riscos e complicações para a mãe e o bebê. As principais funções da placenta são fornecer nutrientes e oxigênio para o bebê, produção de hormônios, proteção imunológica e proteção contra impactos.

A placenta é formada por tecidos do útero e do feto. O crescimento inicial da placenta é rápido e no primeiro trimestre de gestação ela é maior que o bebê. Por volta das 16 semanas de gestação, a placenta e o bebê têm o mesmo tamanho, e no fim da gravidez o bebê já está cerca de seis vezes mais pesado que a placenta. Após a realização de um parto normal, a placenta sai espontaneamente depois de quatro ou cinco contrações uterinas, que são bem menos dolorosas que as contrações que acontecem durante a saída do bebê. As principais alterações que acometem a placenta são o descolamento prematuro de placenta. O problema costuma ser diagnosticado no terceiro trimestre de gravidez. Na maioria das vezes, quando o quadro é detectado, é necessário que se faça uma cesariana. Alguns fatores de risco podem desencadear o descolamento; o principal deles é a hipertensão. Traumas, como uma batida de carro, por exemplo, também podem ocasionar o problema. O sintoma é sangramento volumoso acompanhado de dor.

Placenta prévia ou placenta baixa: É quando a placenta se implanta na parte mais baixa do útero,  podendo ocluir o colo do útero. A condição pode atingir diferentes níveis, e um dos principais fatores de risco é a cesariana prévia. A cicatriz anterior provocaria uma vascularização anômala do útero e isso facilitaria a implantação da placenta naquela localização, explica. O sintoma começa com sangramentos mais leves, que vão aumentando de gravidade. Diagnosticada por meio de ultrassom, a placenta prévia requer, na maioria das vezes, um parto cesáreo.

Acretismo placentário: acontece quando a placenta está aderida à parede do útero. Apesar de ser uma patologia rara, que ocorre em cerca de 0,2% das gestações, quando se somam dois fatores de risco - cesarianas anteriores e placenta prévia - esta probabilidade sobe para 40%. A condição, segundo Nakamura, é grave e as chances de mortalidade chegam a 7%. A cesárea é recomendada e, na maioria das vezes, é realizada a histerectomia (retirada do útero). Com a forte onda do parto humanizado, as equipes de saúde têm se defrontado com opções das mães pouco usuais. Uma delas é a placentofagia, que consiste da mãe comer a placenta, tomar sucos ou liofilizada e encapsuladas. As pessoas que preconizam a ingestão de placenta acreditam que, graças aos hormônios nela contidos, o útero voltará mais rapidamente ao  tamanho normal, a produção de leite será otimizada e a possibilidade de depressão pós-parto será menor. Isso tudo é fato? Nada disto está cientificamente comprovado. Em setembro de 2001, durante o 5º Congresso Mundial de Medicina Perinatal, os congressistas elaboraram um manifesto chamado de Declaração de Barcelona ssobre os Direitos da Mãe e do Recém-Nascido, com vistas a “conseguir que no século 21, o processo reprodutivo humano, em qualquer parte do mundo, fosse obtido em condições de bem-estar físico, mental e social, tanto para a mãe quanto para o filho”.  A declaração em seu item 12, praticamente reproduziu o constante das recomendações da OMS, mas é bom transcrever: “As mulheres que dão à luz em determinada instituição têm direito a decidir sobre a vestimenta (própria e do recém-nascido) destino da placenta e outras práticas culturalmente importantes para cada pessoa”.

Parto de Lótus é uma prática que concebe o nascimento de maneira particular. Nele, a placenta fica ligada ao bebê por meio do cordão umbilical até que se desprenda naturalmente. Trata-se de um processo que costuma durar entre dois e dez dias após o parto e necessita de cuidados específicos com a placenta e seu processo de secagem.


Dica de saúde
 A realização do pré-natal representa papel fundamental em termos de prevenção e/ou detecção precoce de patologias tanto maternas como fetais, permitindo um desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo os riscos da gestante. Informações sobre as diferentes vivências devem ser trocadas entre as mulheres e os profissionais de saúde. Essa possibilidade de intercâmbio de experiências e conhecimentos é considerada a melhor forma de promover a compreensão do processo de gestação. Procure seu obstetra e discuta seu momento.


Dica de saúde 2

Na consulta pré-anestésica, o paciente é avaliado pelo médico anestesiologista. Essa medida visa garantir a segurança e reduzir os riscos por meio da orientação sobre os cuidados pré e pós-operatórios. Entre outras informações, permitirá ao profissional que fará o procedimento conhecer o histórico clínico do paciente e, assim, escolher a técnica de anestesia adequada à ao parto normal ou cesáreo se for necessário.


Dicionário Médico

• Doula: É uma assistente de parto, sem necessariamente formação médica, que acompanha a gestante durante o período da gestação até os primeiros meses após o parto, com foco no bem-estar da mulher.

• Obstetriz: Normalmente conhecida por parteira, representa um importante recurso para prover cuidados de saúde a gestantes, parturientes, puérperas, recém-nascidos e familiares, no sentido de promover e preservar a normalidade do processo de nascimento, atendendo às necessidades físicas, emocionais e socioculturais das mulheres. A obstetriz é uma profissional graduada no acompanhamento de gestações, partos e pós-parto de risco habitual ou baixo risco, de forma autônoma ou vinculada a equipe multiprofissional.


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