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Saúde e Equilíbrio - Fernando Viégas Delgado

Endometriose

Publicado em 23/10/2018 00h10

Endometriose
Foto: Divulgação/Notisul

A endometriose se dá quando o endométrio, tecido que reveste a cavidade do útero, implanta-se fora do órgão. Durante a menstruação, fragmentos desse tecido que descama podem caminhar pelas tubas (antigamente denominadas trompas de falópio) se implantar na cavidade abdominal e crescer sob a ação dos hormônios femininos, provocando uma inflamação. Uma vez instalada, a doença causa alterações intestinais durante o período menstrual, como diarreia, dor durante o ato de evacuar e dor durante o ato sexual. A maior consequência, porém, dá-se no estágio avançado da doença e quando existe a obstrução nas tubas que possa impedir o óvulo de chegar ao espermatozoide, causando infertilidade. Questões hormonais e imunológicas podem também impedir a gravidez em algumas mulheres, mesmo as que apresentam quadros mais leves da doença. As células das lesões da endometriose têm um aspecto diferente das do endométrio. Com o tempo, eles se tornam parecidas com células chamadas de senescentes, unidades pra lá de envelhecidas que param de se dividir e têm resistência à apoptose, o suicídio celular. É como se o corpo enfrentasse dificuldades para dar cabo delas.

O certo é que há muito a ser esclarecido em termos científicos quando se fala do mal.  Um deles diz respeito ao número de mulheres com a doença. Hoje, acredita-se que ela afeta de 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva, portanto uma prevalência muito alta. 30% das mulheres inférteis têm a endometriose como causa principal, 1/3 das mulheres apresentam dificuldade para engravida devido ao problema e 86% das mulheres com endometriose têm cólica menstrual de grau variado. Os sintomas mais comuns são: Cólica menstrual, dor na região pélvica fora do período de menstruação, dor no fundo da vagina durante a relação sexual, alterações intestinais durante o período menstrual, como dor para evacuar, diarreia e/ou sangramento nas fezes, dor para urinar e sangramento no xixi e dificuldade para engravidar como já dissemos.

O diagnóstico de suspeita da endometriose é feito por meio de exame físico, ultrassom endovaginal especializado, exame ginecológico, dosagem de marcadores e outros exames de laboratório. Atenção especial deve ser dada ao exame de toque, fundamental no diagnóstico da endometriose profunda. Em alguns casos, o médico ginecologista solicitará uma ressonância nuclear magnética. Para algumas mulheres, a laparoscopia pode ser necessária para confirmação definitiva do diagnóstico. Entretanto, para a maioria, o diagnóstico é realizado até essa etapa, sem obrigatoriamente a necessidade da laparoscopia. Classificamos como endometriose leve quando as lesões presentes na região pélvica são pequenas e não provocam alterações anatômicas em ovário, tubas e útero. Nesses casos as lesões são superficiais e raramente atingem o intestino, bexiga ou ureter. A endometriose profunda, também chamada de endometriose avançada, corresponde às lesões que atingem os órgãos pélvicos em profundidade superior a 5 mm, por extensões variadas e provocando maiores deformidades anatômicas. É nessa fase que se encontram as lesões intestinais, acompanhadas ou não por lesões na bexiga e, mais raramente, no ureter. A endometriose pode atingir o ovário de duas formas. Uma é através de pequenos implantes superficiais, semelhantes à endometriose pélvica superficial. A outra forma, a mais comum, é chamada de endometrioma ovariano. São cistos que ocupam parte do ovário e que apresentam células endometriais distribuídas em sua cápsula. Antes do advento da cirurgia vídeo laparoscópica, a maioria dos casos acabava em histerectomia. Hoje só se retira o útero se outras alternativas não deram resultado na melhora da dor e quando existem outros fatores associados ao quadro clínico da paciente, como mioma e sangramento. O objetivo do tratamento conservador ou medicamentoso é reduzir o estímulo do hormônio estrogênio produzido pelos ovários promovendo melhora dos sintomas. As pílulas podem ser uma boa opção quando se opta pelo tratamento medicamentoso.

Ela reduz a ação do estrógeno sobre as lesões da endometriose, provocando a melhora. A cirurgia pode ser indicada para eliminar os sintomas decorrentes da endometriose ou para tratar a infertilidade. A cirurgia para o tratamento da endometriose é realizada através da videolaparoscopia e tem como objetivo extrair todas as lesões presentes na pelve. A cirurgia para retirada do endometrioma de ovário exige cuidado máximo para que a perda de óvulos seja minimizada. Quando a mulher não tem desejo reprodutivo e está próxima da menopausa, a retirada do ovário pode ser uma opção.


Dicas de Saúde
Estamos perto do verão e com ele os problemas de sempre. Um recorrente é a queimadura por água viva. Não custa lembrar o que fazer e o que não fazer: remoção dos tentáculos e dos nematocistos lavando a pele com água do mar, não tocar na água-viva com a mão no caso de estar aderida à pele, se disponíveis, podem ser utilizados um cartão de banco (ou objeto semelhante) e espuma (como a de barbear) para a remoção dos nematocistos, aplicar vinagre na região do ferimento e lavar lesões oculares com soro fisiológico. NÃO aplicar água potável fresca ou álcool ou azeite ou loções nas lesões, NÃO esfregar a lesão de forma vigorosa e NÃO urinar nas lesões.


Dicionário Médico

Cirurgia videolaparoscópica: é uma cirurgia minimamente invasiva que tem como objetivo diagnosticar e tratar doenças que acometem a região abdominal. A operação é realizada em ambiente hospitalar, por meio da introdução de uma pequena câmera através da cavidade pélvica, sem a necessidade de grandes cortes externos na pele.


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