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Saúde e Equilíbrio - Fernando Viégas Delgado

Dor do membro fantasma

Publicado em 16/10/2018 00h11

Dor do membro fantasma
Foto: Divulgação/Notisul

Assistindo a uma reportagem sobre as Paralimpíadas neste fim de semana, achei interessante abordar esse assunto na coluna. É um quadro de dor que pode se manifestar de diversas maneiras e cujos mecanismos são pouco conhecidos ainda, o que torna seu diagnóstico e tratamento um desafio. Uma parte do entendimento desta dor está no campo da neurociência, que estuda as alterações na neuroplasticidade do cérebro relacionado ao membro ou parte afetada.

As primeiras observações médicas sobre a dor do membro fantasma foram feitas por Amboise Paré (1510–1590), um cirurgião militar francês, que notou que após amputações, pacientes queixavam de dor severa no membro amputado. Esboçou vários modelos para explicar a dor, mas, foi durante a Guerra Civil Americana (1861-1865) que médicos que tratavam os numerosos mutilados de guerra fizeram registros mais específicos acerca da dor.

Em 1871, seis anos após o término da guerra, o neurologista Silas Mitchell, cunharia o termo “membro fantasma” para denominar a percepção sensorial persistente após a amputação. As dores eram reais e não imaginárias, como se poderia pensar estando amputado o membro.
“Muitos pacientes acordam da anestesia depois de uma amputação acreditando que a cirurgia sequer foi realizada. A sensação da existência do membro perdido é tão real que somente quando levantam o lençol para vê-lo que constatam que foi amputado”. A dor do membro fantasma se destaca devido à sua alta incidência entre amputados: 80 a 90% relatam algum episódio de dor. 

Parestesias (formigamento, choquinhos), disestesias (intensificação dolorosa das parestesias), espasmos, sensação de facadas que sobem e descem o membro, ardência como se estivesse exposto a uma chama e dor, sensação de esmagamento e cãibras. Pouco se sabe sobre os mecanismos do fenômeno da dor fantasma; o que sabemos é que distrofias e amputações são associadas a alterações na neuroplasticidade do cérebro na área correspondente daquele membro.

Também que não é causada exclusivamente por um ou outro motivo. As terapias para alívio da dor do membro fantasma e reabilitação do membro afetado são semelhantes aquelas utilizadas em reabilitação pós-AVC ou nas distrofias simpáticas reflexas. Os tratamentos conservadores consistem das terapias físicas (massagens, frio, exercícios); Tens (neuroestimulação transcutânea); e a terapia farmacológica.

A terapia mais recente que está tendo bons resultados e aceitação é a Terapia do Espelho, onde coloca-se o membro não amputado diante do espelho e observa a imagem produzida no espelho mimetizando o membro não existente. Assim “engana-se” o cérebro a acreditar que está fazendo movimento e neste processo trabalha a neuroplasticidade cerebral.

Junto com estas terapias, o suporte psicológico é necessário, pois não podemos esquecer que os pensamentos e crenças também fazem parte da forma que encaramos ou percebemos a dor, e a reflexão e reprogramação neste sentido são poderosos auxílios no manejo da dor. Finalmente, embora seja um número pequeno de pessoas que sofrem com dores fantasma persistentes, estas dores podem causar enorme sofrimento e sendo tão diversas, o alívio delas constituem um desafio diagnóstico e terapêutico.

Dicas de Saúde

Mantenha atualizada sua carteira de vacinação. Apesar de alguns movimentos no sentido de menosprezar a vacinação regular como prevenção, não existe nenhuma evidência científica de que tenha algum problema nas imunizações, muito pelo contrário, todas evidencias e os históricos de diminuição ou erradicação de doenças indicam sua eficácia.

Dicionário de Medicina

Neuroplasticidade ou plasticidade neural: é definida como a capacidade do sistema nervoso de modificar sua estrutura e função em decorrência dos padrões de experiência, e a mesma pode ser concebida e avaliada a partir de uma perspectiva estrutural (configuração sináptica) ou funcional (modificação do comportamento).
Cãibras: As cãibras ou câimbras são contrações involuntárias de um músculo esquelético. São frequentes durante a noite, ou em exercícios físicos extenuantes, em pessoas que não possuem condicionamento físico adequado.

Calendário
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Dicas e sugestões
Olá, para entrar em contato comigo para dicas ou sugestões é só me enviar um e-mail: ferviedelgado@gmail.com.


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