quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Adolescência aos 30

Publicado em 09/04/2019 00h10

Fui adolescente nos anos 60, a década que modificou radicalmente o mundo. A pílula anticoncepcional, o movimento hippie, a contracultura, o uso recreativo de drogas, a minissaia, a guerra do Vietnã, os movimentos estudantis contra o “stablishment” (o sistema), surgiram naquela década, como consequência de uma conscientização e de uma ação mais vigorosa por parte da sociedade, exemplos que se disseminaram pelo planeta. Em 1965, com 19 anos, eu já estava trabalhando, aliás isto acontecia desde os 16, não só para ter meu próprio dinheiro, mas também porque era quase que uma obrigação social ter uma atividade produtiva. Meu primeiro emprego foi como “office boy”, encarregado de atividades simples, como datilografar memorandos (sim, era no tempo da máquina de escrever), levar e trazer objetos, ou seja, ações para as quais não era necessário ter uma formação maior. Aos 24, eu estava casado, com uma filha a caminho, precisando ganhar dinheiro para pagar aluguel, supermercado, energia, telefone, ou seja, tudo aquilo que um pai de família tem como obrigações.

Desde então, tenho trabalhado sem interrupção, em empregos que gostei ou não, até chegar ao jornalismo, meu objetivo desde adolescente, e é sobre adolescência que quero falar. Hoje, um jovem de quinze anos tem muito mais informação do que eu tinha aos 40, além da disponibilidade de ferramentas de comunicação sequer imaginadas à época. No entanto, estas informações e instrumentos, que poderiam ser utilizados para o crescimento emocional dos usuários, propiciando o amadurecimento mais rápido, paradoxalmente, parecem funcionar ao contrário. Atualmente, cresce o número de homens e mulheres com mais de 30 anos, com profissão estabelecida, muitos ganhando bem, que permanecem morando com os pais. Alguns até saem do lar paterno, por meio do casamento ou porque querem ter um espaço próprio, porém se o casamento acaba ou perdem o emprego, acabam voltando para a casa dos genitores.

Do ponto de vista emocional, considero isto um retrocesso. A vida é composta por etapas, e cada uma completada nos impulsiona para a seguinte, sendo a passagem da adolescência para a idade adulta uma das mais importantes. Afinal, é a partir daí que assumimos responsabilidades até então inexistentes, como escolher uma profissão, prover o próprio sustento, constituir família, etc., porém, fundamentalmente, nos posicionarmos como indivíduos independentes, tanto material como emocionalmente. É claro que não perdemos o vínculo amoroso com os pais, obviamente aqueles que criaram esta conexão familiar, forjada pela convivência durante a infância e adolescência, porém criamos novas rotinas, em função das relações que estabelecemos.   
 
É claro que existem aqueles que consideram conveniente ter casa, comida e roupa lavada de graça, além da liberdade de poder levar a(o) namorada(o) para passar a noite, com a concordância dos donos da casa, no caso os pais. Porém, considero situações como estas prejudiciais, pois, para mim, é como continuar dependendo dos próprios pais, o que, convenhamos, não é o que se espera de um adulto, seja homem ou mulher.


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