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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Liturgia do cargo

Publicado em 02/04/2019 00h15

O ser humano sempre precisou de modelos nos quais se espelhar. No início da história da humanidade, para explicar fenômenos naturais os quais não compreendiam, os homens criaram os deuses, os quais também eram responsáveis pelas atitudes de cada indivíduo. As qualidades e defeitos de cada pessoa eram consequência da ação divina, retirando dela a responsabilidade pelas ações. O desenvolvimento da civilização foi modificando esses conceitos, colocando a responsabilidade pelas atitudes humanas nos próprios indivíduos, porém a necessidade de pessoas diferenciadas, que servissem de exemplo para as outras, sempre existiu. Conforme foram crescendo e se estruturando, os grupos sociais sagraram líderes, heróis, ídolos, os quais, a partir das suas ações, inspiravam outros a imitá-los. Esses modelos, necessários até hoje, precisavam manter um determinado padrão de comportamento, à medida que ascendiam sobre determinado grupo. Surgiu a liturgia do cargo.

Quem é mais velho deve lembrar de Boris Ieltsin, o primeiro presidente da Rússia após a debacle da União Soviética, que também ficou famoso pelas gafes e ações politicamente incorretas, como em 1995, quando foi flagrado beliscando a “derrière” da própria secretária, durante uma reunião com correspondentes estrangeiros, ou nas várias vezes em que apareceu bêbado, inclusive em eventos oficiais. Também é difícil de esquecer as gafes de alguns dos ex-presidentes brasileiros, como Itamar Franco, filmado ao lado de uma “modelo” que não estava usando calcinhas, ou como Lula e Dilma, que geraram infindáveis memes na internet. Muitos políticos, ao ascenderem a determinado cargo, não se dão conta que, além das responsabilidades inerentes ao mesmo, precisam ter o comportamento esperado pela sociedade. São os casos de Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia.

Parece que os presidentes da República e da Câmara dos Deputados, Bolsonaro e Maia, ainda não se deram conta da posição que ocupam e da necessidade de agir de acordo. Bolsonaro acha que ainda está em campanha, usa as redes sociais como um míssil para provocar os “cumunistas” que ameaçam o país, esquecendo que agora é o presidente de todos os brasileiros. E, na semana passada, cometeu a insensatez de ordenar celebrações pelo 31 de março, dia da “revolução que salvou o país do comunismo”, segundo ele, ou do “golpe militar”, de acordo com aqueles que condenam o regime militar de 21 anos. Já Rodrigo Maia tenta chantagear o governo, ameaçando não colocar em pauta o projeto de reforma da previdência social, chamando o ministro da Justiça de “funcionário” de Bolsonaro, ou ainda afirmando que “o presidente está brincando de dirigir o país”.

É necessário que ambos tomem consciência da liturgia do cargo, isto é, que tenham o comportamento adequado para tal, uma vez que servem de exemplo para muitos. E é bom também que não esqueçam que a visibilidade que a função proporciona pode ser também o instrumento para derrubá-los, caso insistam em comportar-se como meninos mimados.  


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