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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Horror ao vivo

Publicado em 19/03/2019 00h15

Semana passada, acessando as redes sociais, abri um vídeo postado em um dos grupos dos quais faço parte e, ao assisti-lo, comecei a pensar qual seria a razão para alguém postar imagens de um jogo virtual, o tal de Counter Strike, no qual o “jogador”, portando uma arma, abate “inimigos” que surgem no seu campo de visão. Porém, em dado momento, percebi, horrorizado, que as imagens não eram de um jogo, eram verdadeiras, alguém estava matando pessoas e, terror dos terrores, eu soube depois, transmitiu a chacina ao vivo! Em seguida surgiram as notícias sobre o atentado na Nova Zelândia, no qual um atirador invadiu uma mesquita e começou a atirar indiscriminadamente contra homens, mulheres e crianças, matando 50 pessoas e deixando mais de 30 feridas, algumas em estado grave. O fato gerou indignação por todo o mundo, e o Facebook retirou o vídeo do ar, inclusive alguns com imagens borradas para não haver a identificação das vítimas, mas o dano emocional em milhões de pessoas pelo mundo já estava feito.

Esta situação leva a duas reflexões. Inicialmente, a facilidade que uma pessoa tem para comprar armas de maneira legal em diversos países, como nos Estados Unidos. Indivíduos que podem ter características de psicopatia, ou seres com baixo controle emocional, e que deveriam passar por um controle severo por parte da sociedade, através da adoção de regras extremamente rígidas no processo de compra de uma arma, acabam tendo acesso a diversos tipos de armamento, sem que haja uma pesquisa prévia para saber se esta pessoa tem condições ou não possuir uma arma. A liberação da compra de uma arma deve ser feita a partir de uma criteriosa análise por parte da autoridade pública, que deve incluir exames médicos e psiquiátricos, além de um histórico policial do candidato, para saber se já teve algum problema nesta área. Somente se essa avaliação fosse positiva o indivíduo poderia realizar a compra de uma arma.

Em segundo lugar, a semelhança daquele episódio apavorante, transmitido ao vivo para todo o mundo, com o Counter Strike, um “jogo” que é imersivo, ou seja, que faz com que os “jogadores” sintam-se emocionalmente dentro da situação, deveria fazer com que fosse repensado o papel desse tipo de “entretenimento” colocado à disposição de toda a sociedade, inclusive de crianças em fase de formatação da sua condição emocional. Ah, mas o problema são as pessoas, não os jogos, milhões de pessoas jogam e somente meia-dúzia são afetados e tomam atitudes violentas, dizem os defensores do “passatempo”. Só que estes poucos que sofrem influência dos jogos, saindo da realidade, são os que matam 50, como em Christchurch, ou 13, como na escola em Realengo, no Rio de Janeiro, em 2011, ou ainda oito, na escola de Suzano.

Será que vale a pena, com o pretexto de entreter milhões, premiar assassinatos, atropelar pessoas, roubar carros, agredir velhinhas, como acontece em outro jogo, o GTA, banalizando atitudes violentas, fazendo com que a vida humana tenha cada vez menos valor? Creio que não, acredito que deveríamos repensar esta indústria da violência, que está mudando para pior o mundo, para evitar que cenas como as que vimos recentemente se repitam.


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