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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Apropriação, empoderamento, feminicídio

Publicado em 12/03/2019 00h15

Acho que algum pesquisador acadêmico poderia pensar em realizar um estudo linguístico sobre como alguns termos que designam situações e pessoas mudaram no decorrer do tempo. Por exemplo: na minha juventude, dizíamos que alguém muito especial era “bacana”, “joia”, “o máximo”, ou, como eu morava no Rio Grande do Sul, “tri-legal”. Atualmente, o cara é “irado”, “f...dão”, “maluco”. Antigamente, a gente ia “dar uma banda”, hoje vai “quebrar tudo”. As festas eram “geniais”, hoje “bombam”. Ou seja, as referências linguísticas eram positivas, porém isso mudou radicalmente. Um dia destes, alguém escreveu em uma rede social, referindo-se a pessoas que considerava seus ídolos: “Meus heróis morreram de overdose”. A frase é de uma música de Cazuza, que, como se sabe, foi uma das primeiras celebridades vitimada pela Aids, e que, provavelmente, foi infectado por compartilhar agulhas ou por fazer sexo sem proteção. Para mim, ao contrário deste conceito em relação a pessoas que possam ser tomadas como exemplo, só devem ser imitados indivíduos cuja existência tenha modificado positivamente o mundo.

Mas o que eu quero realmente falar é sobre algumas expressões que estão na moda. Por exemplo: o verbo “apropriar”. Para mim, o termo tem uma conotação negativa, uma vez que “apropriar-se” leva à ideia de algo fora da lei, inclusive existe, no Código de Processo Penal, o delito denominado “apropriação indébita”. Porém hoje, as pessoas “apropriam-se” do conhecimento, por exemplo, como se este fosse um objeto, o qual pode ser tomado de outro indivíduo. Outra palavra que me incomoda é o atualíssimo “empoderamento”, usado por dez entre dez feministas (e não feministas) em qualquer discurso, manifestação, debate, seminário, etc.. Aliás, é possível que muitas delas queiram que eu seja crucificado por esta colocação, porém, para mim, a essência do termo, “poder”, é um conceito que estabelece diferenças entre os seres, uma vez que exercer o poder significa criar hierarquias na sociedade. Basta olhar as ditaduras que marcaram o século 20. Penso que mulheres (e homens) deveriam lutar pela igualdade, e não pelo poder.

Outra expressão em voga, com a qual não concordo, é “feminicídio”, neologismo criado para definir o assassinato de uma mulher simplesmente pelo fato de ser mulher. Mulheres (e homens) são mortos violentamente não por causa do gênero, mas porque estão envolvidos em relacionamentos com pessoas que têm ciúmes, inseguranças, problemas emocionais ou mentais, condições que geram conflitos, os quais muitas vezes são resolvidos por meio da violência. Pense: se fosse correta esta definição de feminicídio, haveria muito mais homens assassinando mulheres, uma vez que, baseado neste conceito, a visão masculina sobre o gênero feminino seria que a vida delas não teria nenhuma importância, e sabemos que a realidade não é bem assim. Por tudo isso não concordo com a definição e uso atual desses termos. Como já afirmei, acredito que homens e mulheres devem trabalhar em conjunto, não para “apropriar-se”, “empoderar-se” ou serem perpetradores ou vítimas de “feminicídio”, mas para viver amistosa e amorosamente, como iguais.


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