domingo, 26 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Relações virtuais? Não, obrigado.

Publicado em 26/02/2019 00h22

O relacionamento entre pessoas a distância, utilizando meios de comunicação, existe há muito tempo. No século 19, a comunicação epistolar (através de cartas), era comum. No século 20, o desenvolvimento dos veículos de comunicação criou outras possibilidades de contato interpessoal.

A comunicação telefônica, por exemplo. A televisão e o cinema apresentaram este novo hábito ao mundo, mostrando adolescentes “pendurados” no telefone por horas e horas, criando uma necessidade até então inexistente. Nos anos 80 do século passado, surgiu o 138, um antepassado dos atuais chats. Quem ligava para este número de telefone era direcionado para um programa que colocava diversos usuários em contato simultâneo, e que servia mais para procurar alguém para se relacionar do que para trocar ideias. Aí começou uma mudança cultural profunda na questão dos relacionamentos.

O surgimento da internet, das redes sociais e, principalmente, o aperfeiçoamento dos telefones móveis, com a criação dos chamados “smartphones”, transformou de maneira definitiva a comunicação mediada pela tecnologia. A relação pessoal, que tinha início no grupo de amigos, nas festas, no trabalho, na escola, e que se desenvolvia progressivamente, cada um conhecendo pouco a pouco o outro até a consolidação do relacionamento, começou a perder terreno, sendo substituída pelo contato fortuito, instantâneo, culminando atualmente nos sites de relacionamento. Hoje, uma simples consulta à internet mostra quase 40 sites que propiciam encontros, sendo que alguns são para públicos bem específicos, como o C-Date, dirigido a pessoas que querem encontros casuais, o que significa, trocando em miúdos, sexo sem compromisso. 

Porém, uma questão que surge com esses novos modelos de relacionamento, além da banalização das relações, principalmente no que se refere ao sexo, que perdeu a espécie de aura que durante muitos séculos ostentou, como o ápice de um processo de conhecimento entre duas pessoas, é o problema da segurança (ou insegurança) que envolve as relações mediadas via redes sociais. Recentemente, uma paisagista de 55 anos, que conheceu pela internet um estudante de Direito de 27 anos, teve o primeiro encontro presencial, depois de oito meses de contato virtual, na própria casa. Acordou ao lado dele sendo barbaramente agredida, e só não morreu porque o zelador ouviu os gritos e chamou a polícia, mas as imagens do sangue por quase todo o apartamento são impressionantes. 

A internet pode ser utilizada de muitas maneiras, algumas benéficas, outras nem tanto, mas, na minha opinião, nunca deve servir para procurar relacionamentos, uma vez que a própria estrutura da rede propicia a qualquer um a possibilidade de criar uma “persona”, uma falsa personalidade, já que é difícil, quase impossível, checar se o que é colocado como verdade efetivamente o é. Relações virtuais ou mediadas? Não, obrigado, sou muito mais pelo olho no olho.


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