segunda, 18 de março de 2019
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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Empatia

Publicado em 19/02/2019 00h10

O acidente de helicóptero que vitimou o jornalista Ricardo Boechat, na semana passada, chocou o país, especialmente aqueles que trabalham na área, como eu. Na minha opinião, Boechat era o jornalista mais importante da atualidade no Brasil. Ele começou no jornalismo pela coluna social, mas conseguiu atingir um patamar profissional que o credenciou como um jornalista cuja opinião repercutia na sociedade, seja nos veículos impressos, televisivos e radiofônico. Além desta imagem profissional extremamente positiva, consolidada por ações como compartilhar com o público o episódio de depressão que teve em 2015, situação que a maioria das pessoas prefere esconder, as informações apontam para um indivíduo gentil, educado, que tratava a todos da mesma maneira. Para se ter uma ideia de quem era Boechat, os taxistas que trabalham nas imediações da Rede Bandeirantes fizeram uma manifestação em homenagem a ele, um dia depois da morte.

A única vez que discordei de Boechat foi em relação à polêmica com o pastor Silas Malafaia, também em 2015, quando, respondendo a uma crítica do bispo sobre a posição do jornalista sobre a atuação de pastores evangélicos, utilizou palavras de baixo calão e ofensas pessoais. O profissional de comunicação, que tem à sua disposição um jornal, rádio ou televisão, tem a obrigação de manter um posicionamento equilibrado e, no momento em que emprega esses termos, acaba perdendo a credibilidade, parece que não tem argumentos para discutir. Porém, independentemente da minha crítica à atuação de Boechat neste caso, a perda de um profissional do porte dele deixa uma grande lacuna no jornalismo brasileiro.

Mas a morte de Ricardo Boechat também mostrou alguns aspectos que eu gostaria de destacar, como o que se refere à empatia, que é um dos fundamentos da identificação e compreensão psicológica em relação a outros indivíduos. Empatia significa a capacidade de sentir o que sente outra pessoa. É tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar as emoções do outro. A empatia pressupõe uma comunicação afetiva com outra pessoa e leva-as a ajudarem umas às outras. É um aspecto do altruísmo, que é o interesse pelo próximo, e à capacidade de ajudar. Quando alguém consegue sentir a dor ou o sofrimento do outro, colocando-se no seu lugar, tem despertada a vontade de ajudar e de agir de acordo com princípios morais.

Destaco este aspecto em função de uma foto, feita durante o acidente que matou Boechat, que mostra uma mulher, identificada depois como Leilaine Rafael da Silva, tentando abrir a porta do caminhão envolvido na colisão, enquanto que, ao redor dela, outras pessoas, ao invés de ajudar, preocupam-se em registrar o fato com seus celulares. Ou seja, escolheram gravar as imagens para colocar nas suas redes sociais, diferentemente de Leilaine, que praticou a empatia, colocando-se no lugar do motorista, que estava preso nas ferragens. Se você fosse o condutor do caminhão, preferiria que quem estivesse por perto fosse a Leilaine ou as outras pessoas?


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