segunda, 17 de junho de 2019
Facebook Instagram Twitter Youtube
48 3053-4400

Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Vergonha na cara

Publicado em 05/02/2019 00h11

Alguém lembra da expressão “negócio no fio do bigode”? No Brasil pré-Internet (que hoje parece estar a anos-luz da nossa realidade) era o compromisso assumido por dois homens na realização de algum acordo ou negócio, significando que não era necessária a assinatura de um contrato, documento ou algo parecido para a concretização do processo, uma vez que os participantes eram homens de palavra, e que a manteriam em qualquer circunstância, mesmo significando prejuízo para uma das partes. Até muito pouco tempo atrás ser chamado de ladrão, fraudador, vigarista, e até de mau pagador, era vergonhoso para qualquer um. Desde criança, lembro de ouvir constantemente que uma das coisas mais importantes da vida é ter vergonha na cara. Porém, no Brasil pós-Lei de Gérson (Gosto de levar vantagem em tudo, certo?) parece que o ditado mais introjetado na mentalidade do brasileiro é “vergonha é roubar e não poder carregar”.

É claro que antes deste período, já existia corrupção no país, inclusive alguns consideram-na endêmica, tendo começado a partir do descobrimento, mas parece que atualmente alguns limites estão sendo dinamitados. Diversos corruptos notórios da história brasileira, apesar de terem conseguido se safar de punições durante a maior parte da vida, sofriam um processo de execração pública. Um exemplo é Paulo Maluf, que foi deputado federal, prefeito e governador de São Paulo. Acusado muitas vezes por corrupção, principalmente por receber propina na realização de obras públicas, ele sempre conseguiu ficar fora da cadeia, até recentemente, quando chegou a ser preso mas acabou libertado, por causa de algumas tecnicalidades apresentadas pelos seus advogados.
Porém a pecha de corrupto o acompanha desde muito tempo, a tal ponto que chegou a ser criada uma piada com o próprio Maluf, que teria declarado uma ocasião, com aquele sotaque paulistano/libanês, que “quem se elege para um cargo imediatamente passa a ser corno, veado ou ladrão. Eu não sou corno nem veado”. No entanto, os corruptos de hoje perderam totalmente a vergonha, roubam descaradamente ao mesmo tempo em que posam de íntegros. Alguém lembrou do Aécio aí? Pior, existem alguns espécimes deste “homo corruptus” que continuam na ativa. Vejam o risco que a nação correu no final de semana. A eleição para a presidência do Senado estava convergindo para o nome de Renan Calheiros, mais um notório componente da política do “toma lá, dá cá”, e que frequenta há muito o noticiário político/policial.

Contudo, mesmo com a decisão do ministro Dias Toffoli de determinar eleição secreta, o que beneficiaria Calheiros, e o primeiro escrutínio ter sido anulado pelo aparecimento de 82 cédulas de votos, quando o Senado conta com 81 senadores, para sorte nossa, alguns novos senadores, ao entregarem o voto impresso, começaram a declarar para quem estavam votando. Percebendo que seria derrotado caso os senadores se sentissem pressionados a abrir o voto, o “coroné” Renan renunciou. É mais um componente da velha política que começa a perder poder. Esperemos que esta sinalização seja também o primeiro passo para que os políticos brasileiros voltem a ter vergonha na cara.


VOLTAR
Banner ServerDo.in
Banner ServerDo.in
Notisul - Um Jornal de Verdade
LIGUE E ASSINE (48) 3053-4400 Rua Ricardo José Nunes, 346 - Jardins de Pádova - Santo Antônio de Pádua - CEP: 88701-571 - Tubarão/SC
Copyright © Notisul - Um Jornal de Verdade 2019.