quarta, 24 de abril de 2019
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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Mukirana e Reginaldo

Publicado em 22/01/2019 00h10

São misteriosos, muitas vezes insondáveis, os caminhos que cada ser humano escolhe durante a sua existência. Duas pessoas podem passar por experiências semelhantes e decidirem trilhar rotas absolutamente diversas. Recentemente, acompanhamos o trágico caso do jornalista Clóvis William dos Santos, conhecido como Mukirana, apelido que ele fazia questão de ressaltar, com o qual assinava textos e entrevistas nos veículos de comunicação nos quais escrevia ou falava. Aos 44 anos, ele foi covardemente assassinado por três criminosos, sendo dois deles menores de idade, e um de 20 anos, e que estava a serviço do exército brasileiro. Um crime que chocou todos que conheciam ou conviviam com o jornalista, que sempre foi uma figura polêmica. De acordo com amigos do Muki, ele era usuário de drogas, o que levava a altos e baixos no comportamento e na profissão dele, mas, nos últimos dois anos, parecia que Mukirana tinha dado uma virada na vida. Tinha conseguido terminar o curso de Jornalismo, depois de inúmeras tentativas.

Como professor do curso, tive o Muki como aluno duas vezes. Na primeira, apareceu na terceira ou quarta aula, ficou cerca de dez minutos, pediu licença para sair para resolver um “probleminha” e não voltou mais naquele semestre. Porém, na segunda, em 2017, não só ficou nas aulas como participou ativamente, realizando os trabalhos e sendo aprovado. Formou-se em gabinete em agosto de 2018 e parecia estar livre das drogas. Engano! Logo depois, começou a ter atitudes típicas de viciado, perdeu patrocinadores, o que lhe trouxe problemas de dinheiro, e iniciou uma nova descida ao inferno das drogas, até chegar ao trágico desfecho que vimos.

Na direção oposta dessa história, temos o exemplo do também jornalista Reginaldo Osnildo. Órfão aos 13 anos, envolveu-se com más companhias, entrou nas drogas, percorrendo a espiral descendente a que o vício leva, até ser preso, acusado de homicídio. Ficou mais de dois anos encarcerado, até o verdadeiro assassino ser preso, sendo então inocentado. Porém, diferentemente do Muki, Reginaldo soube avaliar a própria trajetória, analisando o que o tinha levado até aquele ponto, praticamente o fundo do poço, e o que precisava para retornar à luz do sol. Mudou de bairro, porque percebeu que, se voltasse para o mesmo local, iria conviver com as mesmas pessoas e, indubitavelmente, repetiria as mesmas ações. Arranjou trabalho, estudou, graduou-se, fez o mestrado, hoje cursa doutorado e atualmente trabalha no Grupo GCR de Comunicação.

A pergunta que fica é: por que alguns, como o Mukirana, entram no barco da droga e acabam afundando (ou sendo jogados na água), enquanto que outros, como o Reginaldo, que também entrou nesta barca furada, acabam se salvando? Claro que muito disto depende da capacidade de reflexão, de análise, de observar o que está acontecendo conosco, para tomar a decisão de pular fora e buscar terra firme, mas parece estranho, pelo menos para mim, que a vida de alguém esteja desmoronando e esta pessoa não perceba. Os caminhos estão à nossa frente, mas talvez nem todos tenham a capacidade de vê-los.


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