segunda, 27 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Menos amigos, mais amigos

Publicado em 08/01/2019 00h17

"Passaremos 10 dos próximos 40 anos olhando telas eletrônicas”

Todos os dias, centenas de milhares de pessoas recebem ou enviam solicitações para tornar-se “amigas” pela rede social mais popular do planeta, o Facebook. Aliás, o mesmo já foi reduzido para “o Face” entre nós, no velho estilo brasileiro de estabelecer familiaridade (às vezes excessiva) com qualquer coisa, seja uma instituição ou indivíduo. Eu não sabia, mas fui verificar o número de pessoas que tenho no meu Face ao decidir escrever sobre o tema, e são espantosos 1.755 amigos cadastrados. Espantosos pelo menos para mim, já que, como bom sujeito analógico, acesso muito pouco esta rede social específica. Utilizo bastante o WhatsApp e o Twitter como ferramenta profissional, uma vez que ambos veiculam informações que podem transformar-se em notícia, mas a minha relação com o Face é um pouco distante, sem muito entusiasmo. Ultimamente, até tenho compartilhado algumas coisas que acho interessantes, mas passo às vezes dias, semanas, sem ver o que está sendo colocado nela.

Por isto, ao ver o número de amigos que possuo, fiquei admirado, e dei uma passada d´olhos, como diriam os portugueses de Portugal, no meu catálogo de relações facebookianas. Descobri que grande parte eu não conheço, aceitei a solicitação destes mais pelo número de amigos em comum do que qualquer outra coisa. Por favor, amigos desconhecidos, não levem a mal, eu só estou dizendo que não imagino a razão pela qual vocês solicitaram a minha amizade, mesmo que virtual. Não sou famoso, não sou cantor (gostaria de ter sido), não sou celebridade, não participei do Big Brother, não sou político, enfim, sou uma pessoa comum, igual à maioria das pessoas. Porém isto me levou a pensar em um vídeo que recebi esta semana pelo Face. É uma produção espanhola, que juntou pessoas muito amigas, que vivem longe umas das outras, e calculou, pelas informações dadas pelas mesmas sobre a frequência com que se encontram, quanto tempo teriam de vivência, mantendo estes intervalos para se encontrarem, até o fim da vida.

As reações são de espanto, descrédito, dúvida e até desespero. Todos esperam resultados apontando para anos de convívio, porém os resultados são dias ou até horas. Ou seja, se estas pessoas continuarem se encontrando com a mesma periodicidade, teriam muito pouco tempo para conviver no futuro. O vídeo mostra uma pesquisa que afirma que, nos próximos 40 anos, passaremos 520 dias vendo séries, 6 anos assistindo televisão, 8 anos na internet, 10 anos olhando telas, ou seja, trocando o mundo real pelo virtual, deixando de conviver com quem amamos. A pesquisa também diz uma das causas é que não queremos pensar na morte, imaginamos que mais adiante teremos tempo para fazermos coisas que nos deixarão felizes, como viver nossos afetos.

Por isto, é importante priorizar o que realmente é importante na nossa vida: prazeres simples, como uma boa comida em boa companhia, bons livros, viagens, mas, principalmente, amores e amigos, porém amores e amigos reais, que possam ser abraçados, beijados, tocados, cuja convivência nos transforme em melhores pessoas.


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