sexta, 24 de maio de 2019
Facebook Instagram Twitter Youtube
48 3053-4400

Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Mágoa de caboclo

Publicado em 11/12/2018 00h07

Sou fã de palavras cruzadas. Praticamente todos os dias resolvo uma ou mais. Na minha opinião, a busca pela palavra exata, o encontro do termo adequado através da definição de outro, montando uma espécie de quebra-cabeças, é um exercício para o cérebro, o qual, como qualquer outro órgão, precisa de treino, necessita ser estimulado. As palavras cruzadas, além disto, fazem com que o nosso vocabulário cresça, acrescentando termos desconhecidos até então. Muitas vezes faço com que meus alunos realizem esta atividade, com o objetivo de aumentar a capacidade de cada um de evitar um dos pecados capitais do Jornalismo, que é a repetição de palavras. Palavras repetidas denotam falta de vocabulário. Outra ação que é benéfica para fazer com que cresça o nosso dicionário interno é o hábito da leitura, o qual, infelizmente, está rapidamente perdendo espaço no mundo atual, principalmente para uma grande parte dos chamados millenials, os jovens nascidos a partir do século 21.

Na realidade, eu comecei falando de palavras cruzadas para falar de inveja. Como assim, dirá o leitor mais atento, o que tem uma coisa a ver com a outra? Calma, esclarecerei, como dizia aquele personagem do Agildo Ribeiro (mais uma informação da qual muita gente não terá a mínima ideia de quem seja). Fazendo hoje palavras cruzadas, deparei-me com uma expressão nunca vista: mágoa de caboclo, descoberta somente a partir do preenchimento das colunas verticais e horizontais, já que não tinha ideia do seu significado. Claro que fui pesquisar o que queria dizer, e a definição é “inveja, dor de cotovelo”. O que será que o caboclo tem a ver com isto, me perguntei? Como um pensamento leva a outro, acabei refletindo sobre a inveja nos dias atuais.

Neste mundo cada vez mais interconectado, recebemos centenas, milhares de informações por dia. E como a maioria tem muitos “amigos” virtuais, constantemente estamos vendo o que eles estão fazendo, até porque aquele costume arcaico e obsoleto de ter uma vida privada já era. E assim, vemos viagens espetaculares para lugares exóticos ou paraísos turísticos, casas luxuosas, carros que são máquinas hipermodernas, mulheres ou homens maravilhosos, ou seja, muita gente tem a vida que todo mundo queria ter. Mesmo que muito disto seja mentira, as fotos de viagens sejam falsas, as imagens das casas tiradas de revistas, as pessoas “photoshopadas”, alguns se sentem diminuídos, e usam dos mesmos expedientes, criando uma vida artificial, mentirosa, para provocar inveja ou dor de cotovelo nos amigos e conhecidos.

E dê-lhe Photoshop, dê-lhe viagens inventadas, dê-lhe fotos falsificadas, em um processo que se retroalimenta ad infinitum, porque no mundo virtual qualquer coisa pode ser criada, inclusive uma vida falsa. Na minha vivência, que é longa, cheguei à conclusão que, para que a vida tenha sentido, é necessário que seja baseada na verdade. Afinal, que valor tem uma existência fundamentada em mentiras? Mais dia, menos dia, a verdade irá surgir. E aí, aquele falso mundo irá desmoronar, e a tendência é que desmoronemos junto.  


VOLTAR
Notisul - Um Jornal de Verdade
LIGUE E ASSINE (48) 3053-4400 Rua Ricardo José Nunes, 346 - Jardins de Pádova - Santo Antônio de Pádua - CEP: 88701-571 - Tubarão/SC
Copyright © Notisul - Um Jornal de Verdade 2017. Desenvolvido por Demand Tecnologia e Bfree Digital