domingo, 16 de dezembro de 2018
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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Quem não lê não escreve

Publicado em 27/11/2018 00h15

Sou bibliófilo desde que me conheço por gente. A partir do momento em que aprendi a ler, um dos meus maiores prazeres é exercitar esta habilidade. Sempre gostei do cheiro, do toque, do peso de um livro nas mãos, sem falar nas viagens proporcionadas por eles, cada enredo levando a mente ao reino da fantasia, do suspense, da aventura, abrindo a imaginação para o desconhecido. Jack London, Karl May, Edgar R. Burroughs, Hemingway, entre muitos outros, fizeram com que muita gente fosse conduzida mentalmente para outras realidades, mergulhando de cabeça em histórias criadas por pessoas imaginativas, com a capacidade de criar outros mundos, ou seja, escritores.

Estes sempre foram os meus ídolos, diferentemente da maioria das crianças e adolescentes com os quais convivi, que tinham como modelos heróis com superpoderes. Os meus exemplos, aqueles a quem imitar, eram os que tinham o poder de conduzir o leitor a um novo mundo, por meio da escrita.
Pois bem. Apesar de rabiscar algumas coisas no decorrer da vida, rascunhar alguns roteiros, escrever muitas crônicas, ainda não me atrevi ao texto longo, para o qual creio ser necessário um fôlego (também conhecido como talento) que não sei se tenho. Mas o que quero dizer é que acredito, de maneira profunda, que os livros funcionem como agentes de mudança, tanto no desenvolvimento da imaginação como na transmissão do conhecimento, e esta é uma realidade que procuro passar para os alunos, principalmente os do curso de Jornalismo. Porém, o que tenho observado é uma diminuição no hábito da leitura. Muitos estudantes, quando questionados, dizem não ter este costume ou, pior, não gostar de ler. A única maneira de escrever e, mais do que isto, escrever bem, é por meio da leitura. É através dela que adquirimos vocabulário, conhecemos diferentes estilos, para que possamos desenvolver o nosso, somos levados a pesquisar para escrever sobre determinado tema, enfim, a leitura é a guia para um universo de crescimento interno.  

Mas no meio desse oceano de telas, notes, smartphones, youtubers, redes sociais, etc., de vez em quando algumas notícias fazem renascer a esperança de que nem tudo esteja perdido. Explico. Li recentemente (em um site, devo reconhecer, para ser honesto) que em Pederneiras, cidade no interior de São Paulo, uma menina de 8 anos ganhou notoriedade por já ter lido mais de 400 títulos, entre livros e gibis. Só isto já seria motivo para se comemorar, mas Maria Laura Pereira Rached Afonso destacou-se pela decisão (dela) de decidir doar parte de seu acervo particular para a biblioteca municipal. Maria Laura se diferencia das crianças da mesma idade por preferir as páginas de papel aos smartphones, tablets e outros equipamentos eletrônicos. Como diria aquele candidato: “Glória a Deuxxx”. Apesar deste dilúvio eletrônico, que condiciona as pessoas a lerem textos curtos e abominar textos com mais conteúdo, uma menina de oito anos está dando um exemplo maravilhoso. Vou rezar a São Google para que ela assim continue.


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