domingo, 16 de dezembro de 2018
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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Carnaval em outubro

Publicado em 13/11/2018 00h10

Carnaval brasileiro é considerado a maior festa popular do mundo. Durante quatro dias o país se dedica de corpo (principalmente) e alma às festas de Momo. Aliás, no Rio de Janeiro e da Bahia para cima, no início do ano já começam as pré-festas, as micaretas, os carnavais regionais, que só vão terminar em março, e como a chamada Terça-feira Gorda, o principal dia da festa, acontece em cinco de março, dá para imaginar até quando o carnaval irá em 2019. Neste período o país praticamente para, tudo é festa, milhões de pessoas saem às ruas fantasiadas, os blocos populares estão crescendo, a cada ano surgem novos grupos, levando mais e mais gente a participar, e assim o Brasil mergulha em um clima onírico, mesmo acordado, já que o carnaval é uma espécie de sonho dentro da realidade. Nesse período, o gari pode virar rei, o rico pode ir para a rua como mendigo, o homem pode se transformar em mulher, enfim, a pessoa pode viver, por um tempo determinado, a fantasia de ser outra.

Porém, passado o Carnaval, todos deixam de lado os seus personagens, voltam às suas vidas rotineiras, até o próximo ano, quando há novamente a oportunidade de viver uma vida diferente. Mas despertou minha atenção outro fato: tivemos em outubro outro evento que, como o carnaval, mobilizou a maioria dos brasileiros. As eleições presidenciais de 2018 apresentaram um caráter absolutamente diverso das anteriores, por diversos aspectos. Em primeiro lugar, a influência que as redes sociais representaram. News e fake news, ou seja, notícias verdadeiras e falsas, dominaram as redes, influenciando até a grande mídia. Foram dois turnos de ofensas, ataques pessoais, mentiras, em uma das eleições mais rasas, do ponto de vista de conteúdo, de toda a história brasileira. Além disto, predominou a polarização de posições (não ideologias, a maioria nem sabe o que significa o termo), levando a discussões rasteiras na maior parte das vezes. Mas existe outro aspecto, pós-eleição, que é importante registrar.

Os apoiadores de Jair Bolsonaro estão curtindo o triunfo, o sucesso do projeto para chegar ao Planalto, enquanto que a esquerda já começa a tentar bombardear o futuro governo, mesmo antes da posse. Porém, o que me chama a atenção é a desmobilização do resto da população, após o “carnaval cívico” que vimos do primeiro para o segundo turno. As discussões nas redes sociais (as quais inclusive causaram conflitos familiares, com rompimentos às vezes agressivos, ou entre amigos, com gente deixando de se falar por causa da posição político do outro) as manifestações de rua, os movimentos #Ele não ou #Ele sim, diminuíram sensivelmente de intensidade após a definição de quem a maioria da população havia escolhido para dirigir os destinos do país. Esta “ressaca” pós-eleição faz com que se pense que a agitação do período do pleito seja mais ou menos como o carnaval.

Depois dele, tudo volta ao normal, cada um vai tratar da sua vida, deixando os eleitos tomarem decisões sem acompanhamento e cobrança. Diferentemente do carnaval, o que eles determinarem pode fazer muita diferença na vida de cada um. Confiar é bom, conferir é melhor.


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