domingo, 16 de dezembro de 2018
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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Equilíbrio

Publicado em 06/11/2018 00h10

Sempre fui um fã do frio. Nos anos 90, passei dois meses na Europa, em Munique, uma linda cidade alemã do Sul da Baviera, entre janeiro e fevereiro, ou seja, ápice do inverno, temperaturas baixas, muitas vezes abaixo de zero, e me senti totalmente confortável. Claro, a estrutura das habitações alemãs é adequada para este tipo de clima e, quando a gente vai para a rua e se congela, basta entrar em uma loja, bar ou igreja para se esquentar novamente. No sentido inverso, não gosto do verão. Não sei se é por sentir desconforto físico, uma espécie de letargia, provavelmente decorrente da pressão arterial mais baixa, ou por sentir a roupa pegajosa no corpo, ao final de um dia quente, mas o verão é a época do ano em que fico mais desconfortável. Por isto é que digo para todo mundo que meu sonho de consumo seria morar na Islândia. Porém, dizendo isto um dia para um amigo, ele afirmou que eu não gosto de frio. Se gostasse, argumentou ele, andaria com o mínimo de roupa mesmo nos dias mais frios.

Era um bom argumento, porém, refletindo sobre o tema, cheguei à conclusão de que no inverno temos melhores condições de nos esquentar do que nos refrescar no verão, ou seja, conseguimos encontrar o equilíbrio homeostático. Uma lei da natureza é a busca pelo equilíbrio e, assim como acontece na vida natural, o ser humano também busca o equilíbrio na própria existência. Uma capacidade (ou qualidade) procurada pela maioria das pessoas é a capacidade de dominar as emoções, não sofrer em demasia, controlar a raiva, os desejos, procurar analisar com tranquilidade as situações pelas quais passa para poder tomar decisões mais equitativas, ou seja, equilibradas. No entanto, diferentemente do comportamento de um grande número de animais, que somente se torna agressivo quando se sente ameaçado, o homem dificilmente consegue ser o senhor dos seus sentimentos, ao contrário, a maioria é dominada por eles.

Muitas vezes convivemos, no trabalho ou fora dele, com pessoas que, aparentemente, são equilibradas emocionalmente, porém basta surgir alguma situação que leve a um conflito para que elas tomem atitudes absolutamente inadequadas, revelando um desequilíbrio muitas vezes latente, não percebido, o qual, de maneira repentina, eclode em função de ações comuns. É aquele momento em que a pessoa vê tudo vermelho, o animal primitivo que está reprimido dentro de cada um de nós vem à tona, e ela diz e faz coisas das quais irá se arrepender no futuro. E o surgimento das redes sociais, ao invés de auxiliar a relação harmoniosa entre os indivíduos, estimulou comportamentos desequilibrados, uma vez que a opinião de cada um adquiriu importância cada vez maior, e quem não compartilha dela é inimigo.

Isso ficou claramente desenhado na recente eleição presidencial. Os dois concorrentes que chegaram ao 2º turno representam projetos contrários, e os duelos midiáticos de seguidores atingiu níveis inimagináveis de agressividade. O que se espera agora é que os dois lados recolham as armas e busquem o equilíbrio nas relações entre vencedores e vencidos. Pensando bem, acho que isto entra em uma outra esfera, a da metafísica, porque está mais para milagre. 


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