domingo, 16 de dezembro de 2018
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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

E agora, José?

Publicado em 30/10/2018 00h14

O título deste texto remete ao poema de Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores nomes da literatura brasileira. O poema é conhecido por muitas pessoas, e a primeira estrofe, a mais famosa, diz “E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora José?”. Esta pergunta poderia ser feita ao presidente eleito, o novo líder do país, é só substituir José por Jair. Por que estou dizendo isto? Por causa da virulência desta campanha eleitoral, sem comparativo com qualquer outra na história do Brasil, especialmente na utilização das redes sociais, nas quais circularam mensagens de uma agressividade ímpar, causando conflitos imensos. Quase todo mundo conhece (ou até vivenciou) histórias de membros de uma mesma família que acabaram rompendo relações por causa de posições políticas contrárias, casos de amigos de muitos anos que deixaram de se falar e até cônjuges que tiveram atritos sérios porque cada um apoiava candidatos diferentes, e que muitas vezes causaram fraturas impossíveis de serem reparadas.

Estes posicionamentos levaram a uma polarização perigosa para o país. Jair Bolsonaro foi eleito com mais de dez milhões de votos em relação ao candidato do PT, Fernando Haddad (57 a 47 milhões), percentual que corresponde a 55,13% do eleitorado. Em contrapartida, 44, 87% votaram em Haddad, o que significa que não se sentem representados pelo escolhido nas urnas. A campanha política que agitou o país desde o começo do ano, principalmente pelo ambiente de “nós contra eles” que tomou conta do eleitorado brasileiro, cristalizou pensamentos, posições ideológicas, conceitos, sobre diversos temas, como, por exemplo, a questão da violência, problema sobre o qual Bolsonaro e Haddad têm visões diametralmente diferentes. Essa fissura na sociedade brasileira terá que ser enfrentada pelo novo presidente.

Por outro lado, ao se colocar como representante da direita, Bolsonaro resgatou uma posição que pouca gente assumia abertamente. Até então, ser de direita parecia motivo de vergonha, a maioria se colocava como de sendo de centro. Obviamente, havia um bocado de gente que se identificava com posições mais à direita, mas o que deve ter funcionado como catalisador desta guinada foi a sensação de que o país estava à deriva, do ponto de vista da política, da cultura e dos valores sociais. A falta de controle da corrupção, da violência, os péssimos serviços públicos, tudo isto serviu como combustível para elevar a temperatura do caldeirão social, levando a sociedade à indignação e à decisão de mudança.

Foi perceptível, nas manifestações feitas nas últimas semanas de campanha por Bolsonaro, e principalmente no pronunciamento logo após a definição do pleito, um discurso menos radical, mais conciliador, colocando-se como o presidente de todos os brasileiros. Não foi o caso de Haddad, que, na fala pós-eleição, manteve o tom da campanha, dizendo, por exemplo, que os eleitores dele não deveriam ter medo, um recado nada sutil. Mesmo com a derrota e a perda de espaço político, parece que o PT ainda não entendeu o recado das urnas.


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