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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Falsa loira

Publicado em 23/10/2018 00h10

A chamada sétima arte, o cinema, sempre me fascinou. Desde criança sou um cinéfilo, e estou falando do tempo em que a oferta de filmes era restrita, normalmente aos domingos, e antes do filme principal eram exibidos seriados de aventuras, como os do Durango Kid, o qual provavelmente ninguém mais sabe quem é. Existem filmes que ficaram gravados na minha memória, sequências que sou capaz de reproduzir por inteiro, cenas que fizeram com que risse ou chorasse. Um dos gêneros que mais aprecio são os chamados “filme noir”, aqueles que tinham como protagonista o detetive durão, porém humano, com diálogos precisos, ácidos, sarcásticos, e que também contavam, invariavelmente, com uma mulher fatal, misteriosa, quase sempre loira, a qual era o “leitmotiv”, o fator que desencadeava a ação, e que, na maioria das vezes, acabava presa ou morta. Um bom filme do gênero é Chinatown, de Roman Polanski, com Jack Nicholson e Faye Dunaway. Recomendo.

A loira fatal virou um símbolo, o qual, por analogia, vem sendo utilizado em outros temas, sendo aplicado, inclusive, para algumas empresas. É o caso da Rede Globo, apelidada de Vênus Platinada, pela influência, quase um monopólio, na área da comunicação. Nunca fui muito crítico em relação à Globo, a não ser em relação ao conteúdo da área de entretenimento da emissora, ou seja, novelas e programas tipo Faustão ou Zorra Total, os quais disseminam e incentivam modelos do que há de pior do ser humano, porque achava que, além da capacidade técnica indiscutível, o jornalismo da mesma tinha algumas coisas boas, além da produção de programas como Altas Horas, Globo Repórter e, principalmente, o Profissão Repórter, os quais exibem conteúdo de qualidade.
Pois agora a Rede Globo adotou uma linha de ação que, além de me surpreender negativamente, começa a mostrar que está preocupada com o que pode significar a perda da maior parte das gordas verbas de publicidade do governo federal. No 1º debate à presidência promovido pela emissora, do qual participaram os principais candidatos ao cargo, houve a ausência de Jair Bolsonaro, que alegou razões médicas, por estar em recuperação do atentado sofrido em Juiz de Fora. No entanto, o presidenciável deu uma entrevista exclusiva (de casa, é verdade) à Rede Record, exatamente no mesmo horário do debate da Globo. Pode-se questionar a atitude de Bolsonaro, mas o ponto principal do fato é que a sinalização de que a Record poderá ser a rede que terá a preferência dele, caso seja eleito.

Esta conclusão deve ter arrepiado os cabelos de muitos executivos da rede, e qual foi a estratégia da Loira Platinada? Contratar junto ao Ibope uma pesquisa para saber se a população acha que pode haver risco da volta de uma ditadura no Brasil. Uma tática pueril, perceptível por qualquer pessoa que tenha dois neurônios funcionando, que é a de vincular subliminarmente essa pesquisa a um candidato que sabidamente defende a ditadura que comandou o país por 21 anos. Porém, como já afirmei neste espaço, esta eleição sepultou a TV e alçou as redes sociais como o principal veículo na formação da opinião do eleitor. Acho que o gato da Globo subiu no telhado.


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