domingo, 16 de dezembro de 2018
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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

As fake news vão levar ao fim do jornalismo?

Publicado em 16/10/2018 00h10

O que diferenciou o homem dos outros animais foi a capacidade de raciocinar, o que o levou a desenvolver soluções para viver melhor por meio da tecnologia. A partir do momento em que o primeiro Homo Sapiens criou a primeira ferramenta, situação magistralmente apresentada por Stanley Kubrick no prólogo do filme de 1968 “2001, uma odisseia no espaço”, um clássico sobre a influência da tecnologia no desenvolvimento da espécie humana, a humanidade não parou de melhorar a condição da própria existência de maneira constante, com a tecnologia proporcionando mais conforto, segurança, saúde e muitos outros aspectos. Porém, até meados do século 20, a realidade era analógica, isto é, se quiséssemos obter uma cópia de qualquer coisa, o processo gerava uma reprodução, uma imitação física do original.

A mudança tecnológica que transformou realmente o mundo foi o advento da informatização, a revolução do “0” e “1”. A possibilidade de representar praticamente tudo em código binário, transformando as informações em linguagem de máquina, mudou a realidade, que, a partir do surgimento dessa tecnologia, podia ser reproduzida virtualmente. Do ponto de vista da comunicação, esta novidade representou uma abertura extraordinária. Lembro que, na Copa do Mundo de 1962, ouvíamos os jogos do Brasil pelo rádio, e só assistíamos dois dias depois. O videotape recém tinha sido criado, as imagens eram enviadas do Chile para São Paulo, copiadas, e cada cópia era enviada para uma das sucursais das emissoras de TV nos estados.

Com a informatização, a comunicação evoluiu de maneira exponencial, hoje assistimos ao vivo a jogos do outro lado do mundo, podemos falar com pessoas que estão em qualquer ponto do planeta, instantaneamente. Existem países que já têm mais smartphones do que gente. No entanto, se por um lado essa explosão tecnológica propiciou a disseminação de novos veículos de comunicação, por outro criou novos problemas. Hoje qualquer um, de dentro da sua casa, pode ser um produtor de conteúdo, transmitir texto, imagem e áudio, atingir um grande número de pessoas. Porém, esta distribuição de informação no atacado trouxe alguns problemas. Um deles, e sem dúvida o mais importante, é a questão das notícias falsas, as chamadas fake news.

Como qualquer um pode produzir conteúdo, fica cada vez mais difícil saber o que é ou não confiável. Obviamente, o índice de confiança dos veículos de comunicação tradicionais é mais alto, pela credibilidade adquirida e pela responsabilidade que sabem que têm, mas a multiplicação das fontes de produção de informações vai tornar a decisão de quem acessa esses dados mais complicada, na medida em que terá dificuldade em saber se eles são verdadeiros ou não. Essa situação poderá afetar decisivamente a atividade jornalística. Se os veículos de comunicação perderem a credibilidade, a própria existência dos mesmos pode ficar comprometida.

É uma situação-limite para o jornalismo, e parece não ser possível vislumbrar uma solução em curto prazo. Cabe a cada um de nós buscar fontes confiáveis e, mais do que isto, não compartilhar informações sem ter certeza de que são verdadeiras, senão estaremos contribuindo para que as fake news façam da comunicação uma arma.


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