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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Tolerância já!

Publicado em 09/10/2018 00h10

Encerrado o 1º turno das eleições de 2018, alguns fatos saltam aos olhos. Primeiro, e mais óbvio, pelo menos para quem procura analisar a realidade política sem o véu da ideologia ou partidarização: o Partido dos Trabalhadores vai ter que se reinventar. Apesar da votação de Fernando Haddad, que o levou ao 2º turno, os votos destinados ao candidato do PT me pareceram muito mais uma iniciativa anti-Bolsonaro do que uma escolha política, fruto de convicção. Esta afirmação é baseada no desempenho de muitos candidatos petistas por todo o país, que lideravam as pesquisas, como a ex-presidente Dilma Rousseff, em Minas Gerais, e Eduardo Suplicy, em São Paulo, e que acabaram chupando o dedo. Fernando Pimentel, em Minas, e Miguel Rossetto, no Rio Grande do Sul, não chegaram nem ao segundo turno, e estes são Estados que, tradicionalmente, têm um eleitorado petista bastante atuante. A classe média brasileira, de maneira contundente, disse não aos 13 anos de governo do PT.

Em segundo lugar, as pesquisas vão ter que se reinventar, ou deverão desaparecer. Na questão da eleição para presidente, não era necessário qualquer instituto para perceber a polarização entre Bolsonaro e Haddad, mas as pesquisas erraram, e muito, em outros cargos. Um exemplo foi aqui em Santa Catarina, onde apontavam Mauro Mariani e Gelson Merisio como os candidatos que deveriam ir para o 2º turno, colocando o Comandante Moisés fora da disputa, porém, a realidade das urnas acabou sendo totalmente diferente. O candidato do PSL ultrapassou Mariani e credenciou-se para a segunda etapa das eleições. E esta situação repetiu-se em vários Estados, reduzindo a pouca credibilidade que as pesquisas já experimentavam. Aliás, proibir a divulgação de pesquisas 30 dias antes das eleições é uma decisão que defendo há vários anos.

Em terceiro lugar, a propaganda política na televisão vai ter que se reinventar, ou estará condenada a desaparecer. Geraldo Alckmin, como um Fausto tupiniquim, vendeu a alma ao diabo para ter o maior tempo de TV, porém, isto não impediu que chegasse em um constrangedor quarto lugar. Creio que as eleições de 2018 representaram um marco histórico, porque mostraram que as redes sociais estão tomando o lugar da televisão como veículo de transmissão de informações, de dados e, principalmente, da opinião de pessoas cujo posicionamento funciona como influenciador do grande público.

Por fim, o resultado eleitoral deste 1º turno mostrou que estamos ingressando em um período bastante perigoso para a política brasileira. A escolha de Bolsonaro e Haddad configura uma polarização de dois projetos totalmente incompatíveis. A campanha para o 2º turno, que já começa nesta semana, pelo que se observou no 1º turno, pode resultar em confrontos entre os partidários dos dois candidatos, situação já vislumbrada nos embates virtuais por meio das redes sociais. Porém, mais do que ofensas online ou criação de fake news, esta campanha pode levar a conflitos mais sérios. Tolerância, palavra que parece não fazer parte de muita gente, será mais do que necessária, para que esta eleição não entre para a história do país pelos motivos errados.


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