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Quarta Crítica - Ronaldo Sant'Anna

Davis e Golias

Publicado em 25/09/2018 00h43

É consenso que vivemos em uma sociedade cujo motor é o consumo. A expressão “sociedade de consumo” se consolidou a partir da década de 1950, quando a acelerada industrialização, em âmbito global, começou a disponibilizar um grande número de produtos. A contínua otimização dos processos de produção levou à diminuição dos custos e do preço dos produtos, levando a um consequente aumento do consumo. Atualmente, o ato de consumir produtos, serviços, comportamentos, ou seja, virtualmente tudo o que existe, está definitivamente incorporado ao nosso modo de viver. O consumo é o grande deus da atualidade, e é tão poderoso que estabelece leis (não escritas) que hierarquizam a sociedade. Aquele que tem maiores condições de consumir, que possui mais dinheiro ou poder político, é colocado em um patamar diferenciado dentro da sociedade. Quem não consome é considerado um cidadão de segunda categoria ou fica à margem da sociedade.

O grande “porém” nesta realidade, no entanto, situa-se na relação entre consumo e consumidor. Um exemplo esclarecedor é a questão dos combustíveis, mais especificamente a gasolina, que movimenta a maior parte dos veículos particulares no Brasil. Aliás, quando o governo decidiu adicionar etanol (palavrinha exótica para dar um ar mais moderno ao álcool) à gasolina, o percentual era de 22%. Entretanto, por pressão dos usineiros, o governo acabou concordando em subir a mistura para 25%. Em 2014, a então presidente Dilma, pressionada novamente pelos usineiros e num ano de eleições, subiu novamente o percentual para 27%. Assim, o brasileiro, ao abastecer e pagar por gasolina, está levando quase um terço de etanol, o qual tem menor poder energético, o que aumenta o consumo de combustível.   

A partir da greve dos caminhoneiros, em maio deste ano, e com a “nova” política da Petrobras em relação aos preços do combustível, os valores nas bombas  aumentaram ao bel prazer dos empresários. Para piorar ainda mais, na maioria das cidades do país, inclusive aqui em Tubarão, os preços da gasolina nas bombas são os mesmos, mas não fique pensando mal, é pura coincidência. Se alguém pensar em cartel está falando bobagem, segundo alguns gurus da opinião local. E se alguém pensa em se queixar ao Procon, direito assegurado ao consumidor, pode esquecer, porque, de acordo com a entidade, criada exclusivamente para esta função, “vigora no Brasil o regime de liberdade de preços em todos os segmentos do mercado de combustíveis. Isso significa que não há qualquer tipo de tabelamento nem fixação de valores máximos e mínimos, ou qualquer exigência de autorização oficial prévia para reajustes”.

Ou seja, você, caro leitor, está por sua própria conta e risco nesta relação de consumo com os fornecedores de combustível, uma vez que o órgão que deveria defendê-lo simplesmente lavou as mãos, e o governo federal, maior acionista da Petrobras, se faz de cego, surdo e mudo em relação à política da maior estatal do país, de olho nos lucros. Como na história bíblica, somos Davis lutando contra vários Golias, mas, ao contrário do herói hebreu, não temos nem pedras nem fundas para lutar.


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