quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Nelson Ubaldo

Nada a comemorar

Publicado em 24/04/2019 00h12

Quando se trata de abuso, de qualquer espécie, não há como defender. Esta premissa vale para tudo, mas para tudo mesmo, porque tudo o que extrapola o bom senso não pode ser defendido e, então quando se trata de abuso de poder, a história se torna muito pior. Estou me reportando a este tema de abuso para lembrar o período de 21 anos de governo militar que vivemos em nosso país de 1964 a 1985. Este período, conhecido como anos de chumbo, marcou uma triste página na história do nosso país. Este fatídico período foi escrito com sangue de pessoas que ousaram ter ideias democráticas. Tudo o que homens honrados nesse país buscam, politicamente, é o ideal democrático e, isto implica em debater ideias, muitas vezes divergentes, para que a maioria possa ter voz e vez. Mas ao falarmos em democracia, na qual a maioria tem suas ideias postas em prática e à prova, de forma alguma podemos excluir o pensamento da minoria, muito pelo contrário, a oposição é sempre um contraponto vital para o equilíbrio político.

Com os desmandos cometidos pelos nossos governantes de esquerda, quando a corrupção prosperou de uma forma gananciosa, sistemática e organizada, os opositores passaram a cultuar tudo o que tendia ao centro e à direita e, pior, passaram a enaltecer a ditadura militar, como se ela fosse pródiga, imaculada e perfeita. Ora meus caros leitores, não podemos esquecer que o bem maior de uma nação, muito mais que a economia, é a liberdade, bem este que foi totalmente impedido pelo regime militar. Vidas foram ceifadas e muitas famílias neste país que tiveram um parente morto ou desaparecido, simplesmente por não terem as suas convicções políticas alinhadas com os governantes do regime. Então não é possível que possamos comemorar a data de 31 de março como um marco de vitória. Esta data, quer queiram ou não, é a data de um golpe militar que o país sofreu no ano de 1964 e que trouxe no seu bojo muita desgraça para a população. 

Se não houve corrupção, e se houve algum progresso, é verdade que sim, mas a mão de ferro que governou o país deixou uma mazela cívica que não pode ser esquecida. Portanto comemorar a data, em razão da qual famílias choram por seus mortos causados por um regime intolerante, é no mínimo uma blasfêmia cívica, para não dizer conivente. O que me causa espécie, é nosso presidente, de formação militar, sendo o representante maior do executivo, declarar que a data merece ser festejada. Isto no mínimo é um desrespeito aqueles que choram seus mortos causados pelo fatídico regime. Não é possível que um presidente da república não tenha o preparo suficiente para entender que as ideias devam ser debatidas de uma forma democrática e que não é enaltecer um regime sanguinário que fará dele um grande estadista. Aliás muitos votaram no senhor Jair Bolsonaro como a única opção viável para afastar o Partido dos Trabalhadores do poder, não porque viam nele um grande governante. Senhor presidente, precisamos que nos dê motivos para comemorarmos os avanços que tanto ansiamos na saúde, educação, segurança, para comemoramos as reformas que o país tanto precisa e povo tanto anseia. Quando ao golpe de 64, não há nada a comemorar.


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