quinta, 23 de maio de 2019
Facebook Instagram Twitter Youtube
48 3053-4400

Quarta Crítica - Nelson Ubaldo

Saúde precária

Publicado em 10/04/2019 00h21

O Brasil é uma nação em desenvolvimento, para não dizer atrasada, e carece de um olhar mais apurado em diversos setores para realmente colocar o país na rota do desenvolvimento. Somos deficitários em diversos setores como infraestrutura, saneamento básico, habitação, segurança, para citar algumas defasagens, pois a lista é enorme. Na saúde a coisa não é diferente. Mas o que mais nos deixa estupefatos é a maneira que o governo tem investido nesta área ao longo dos anos, haja vista a situação dos hospitais. O sucateamento é ímpar na maioria dos hospitais públicos, onde os profissionais trabalham com enorme dificuldade, precisando improvisar (neste aspecto ninguém nos bate) para conseguir atender de forma minimamente humana e com segurança as demandas cada vez mais abrangentes no setor. O profissional médico está exposto na ponta do processo e ele, somente ele, responderá por sua conduta, que depende de outros elementos para um diagnóstico bem feito e uma conduta apropriada.

Nos hospitais públicos faltam desde medicamentos básicos até equipamentos sofisticados para auxiliar o profissional em seu ofício. Os salários dos servidores costumam estar, além de defasados, atrasados, pois esta prática da falta de repasse às entidades de saúde é uma realidade, não permitindo que elas honrem seus compromissos. Estes problemas que citei acima são corriqueiros em todo o território nacional e o descaso com a saúde, que é um direito do cidadão e garantido pela constituição, é um fato. O pior de tudo é que governos irresponsáveis se utilizam do setor para fazer proselitismo e angariar a simpatia dos menos esclarecidos. Ficou claro com o programa Mais Médicos, no governo do PT, que, como todos sabem, serviu muito mais para enviar dinheiro à ditadura cubana do que resolver os nossos problemas de defasagem de profissionais em áreas remotas. E para quem defenda o programa, qualquer argumento cai por terra quando o atual governo acabou com esquema e as vagas dos mais de oito mil e quinhentos profissionais cubanos foram preenchidas com médicos brasileiros, sem mandar nossas divisas para uma um país de regime totalitário, que explora os seus cidadãos.

Bem, com todos estes problemas, o CFM, Conselho Federal de Medicina, nos surpreendeu ao divulgar a resolução 2.227/18 que trata de diretrizes sobre a telemedicina no Brasil. Primeiro, não houve uma consulta à classe médica sobre o problema e nem a ampla discussão que o caso merece. Em segundo lugar, cabe, no mínimo, uma análise sobre os argumentos do órgão para a implantação dessa resolução. O argumento é até plausível na superficialidade, mas não se sustenta sob uma avaliação mais criteriosa. Os rincões mais remotos desse nosso país com dimensões continentais têm carência de profissionais de saúde é verdade, mas têm eles capacidade para entender uma orientação científica de um profissional que, por sua vez, colocou sua profissão em risco ao palpitar a distância? Precisamos investir em uma boa relação médico-paciente, em equipar hospitais, em qualificar profissionais, em fortalecer o setor de saúde, antes de fazermos da saúde um meio político para beneficiar alguns grupos em particular.


VOLTAR
Notisul - Um Jornal de Verdade
LIGUE E ASSINE (48) 3053-4400 Rua Ricardo José Nunes, 346 - Jardins de Pádova - Santo Antônio de Pádua - CEP: 88701-571 - Tubarão/SC
Copyright © Notisul - Um Jornal de Verdade 2017. Desenvolvido por Demand Tecnologia e Bfree Digital