quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Nelson Ubaldo

Tempos difíceis

Publicado em 03/04/2019 00h15

Definitivamente não sou fatalista (a doutrina fatalista considera todos os acontecimentos como irrevogavelmente marcados por causa única e sobrenatural). Eu acredito que mesmo as catástrofes ditas naturais não ocorrem aleatoriamente, pois os terremotos estão muito bem explicados pelo movimento que existe entre as placas tectônicas que compõem o nosso planeta e, quando isto ocorre, temos os abalos sísmicos e, por consequência, o levantamento de uma onde a partir do epicentro, nos oceanos, que levam a um tsunami. Mas, como podem ver, não é fatalismo, a geologia explica estes fenômenos. Temos presenciado um ano pesado em acontecimentos catastróficos, ceifando inúmeras vidas. Temos tido desastres “naturais”, desastres aéreos, desastres criminosos como o de Brumadinho, desastres atmosféricos como as enchentes em várias regiões de nosso país. Temos também massacres em escolas, na Nova Zelândia e, podemos enumerar tantos outros acontecimentos que fazem o titulo de meu texto ter sentido.

O curioso é que nos pomos a lamentar muito e deixamos de cobrar soluções e punições dos responsáveis pelas tragédias. Se não exigirmos uma reparação dos estragos, indenização da família das vítimas e punição dos (i)responsáveis, fatalmente estaremos lamentando adiante por mais vidas e novos desastres ambientais, no caso de barragens, por exemplo. Num país sério o presidente e a cúpula diretiva da mineradora Vale já estariam cumprindo pena por crime não só ambiental, mas pelas vidas perdidas no desastre. Há uma necessidade de sermos mais políticos, no verdadeiro sentido da palavra, mas também sermos mais firmes em nossas reivindicações, para que as tragédias que porventura ocorram tenham exemplarmente punidos os seus causadores. 

Reporto-me também a este acontecimento nefasto e funesto em uma escola na grande São Paulo, onde dois (talvez três) adolescentes planejaram e executaram alunos, deixando um rastro de sangue muito além de um crime comum. Precisamos encarar os fatos e analisar de uma forma mais abrangente para que, efetivamente, possamos agir para impedir novos acontecimentos trágicos como este. Querem alguns, em uma análise superficial, explicar pela influência de jogos de computador que estimulam a violência. É evidente que pode ter uma certa influência, mas isto ocorre onde não há uma base educacional, moral e familiar dos envolvidos. Em primeiro lugar a tarefa de educar, que é das mais difíceis, está sendo muitas vezes terceirizada, como se a escola tivesse a função de formação moral de seus alunos. A base educacional é de responsabilidade do núcleo familiar. À escola cabe o nobre papel de formação. 

Retornando ao caso particular do massacre na escola, não podemos colocar na conta do bullying sofrido por um dos envolvidos, temos que entender onde estava a base educacional de estrutura de costumes e de virtudes, que é papel básico da família. Onde estavam os pais ou responsáveis em nível familiar que não impunham limites e não controlavam o que os seus filhos estavam fazendo em horas vagas? Não há dúvidas   que estamos carecendo de melhor estrutura e base educacional para podermos diminuir este tipo de tragédia. A culpa é de todos nós que não impomos limites a nossos filhos.


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