quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Nelson Ubaldo

Estranha alegria

Publicado em 13/03/2019 00h48

Na sexta-feira que antecede as festas de Momo, já é de praxe que a maioria das pessoas tome posse do passaporte da alegria e mais, da gastança sem limite, da falta de educação, também sem limite, juntamente com o desrespeito. Este passaporte dá direito a mexer com todas as mulheres na rua, dá direito a esvaziar a bexiga em qualquer poste, a jogar água nas pessoas, mesmo aquelas que estão trabalhando (sim, por incrível que pareça, algumas pessoas trabalham nesses dias de festas). Inclui também a possibilidade de perturbar a ordem pública com som alto, a espalhar lixo por todos os lugares da cidade, como se fosse uma lixeira ao seu dispor. Parece estranho que em um país com um número enorme de analfabetos, com falta de infraestrutura, onde uma parcela enorme da população não dispõe de coleta de lixo, de saneamento básico, os governantes de todas as esferas disponham de verbas para este tipo de festa e não tenham recursos para investir no sistema de saúde, por exemplo.

Os festeiros carnavalescos me parecem mais uma horda de delinquentes, parece que as leis deixam de existir no período para muitos foliões, e pelo lado das autoridades locais, aconteça o uso da velha prática do pão e circo, tão bem usada pelos romanos há milênios, mas que funciona muito bem nos dias atuais. Preciso entender qual a matemática de muitos administradores municipais, que atraem uma legião de pessoas para brincar o carnaval, mas que deixam, ao invés de divisas, lixo, baderna, depredação de monumentos, e ainda conseguem espantar turistas que realmente consomem nos mais diversos estabelecimentos de áreas litorâneas. Para que fique bem claro, estou me baseando em dados, que embora não sejam oficiais, são testemunhos de comerciantes que referem prejuízo nos dias de folias carnavalescas.

Não sou contra festas, nem tampouco contra o Carnaval especificamente, mas o que estou aqui fazendo é juízo de valor sobre a maneira com que as pessoas encaram esta festa. Primeiramente não consigo entender como uma festa popular faz com que um país pobre fique tantos dias sem trabalhar (quem pagará esta conta?). Em segundo lugar, volto ao fato de que as pessoas se divertem sem limites e, quando digo sem limites estou me referindo à desordem, a falta de educação, de higiene, da perturbação da ordem pública e, o que considero pior, a maioria dos foliões não consegue entender como pessoas normais não gostem de carnaval. Ora, meus caros leitores, não é preciso gostar de Carnaval para ser feliz. Não é preciso gastar todas suas economias em quatro ou cinco dias de festas. Não é factível que pessoas comprometam seus recursos e suas necessidades mais prementes em nome da alegria, pois fatalmente a conta chegará com uma enorme ressaca na cabeça pelo álcool e no bolso pela falta de bom senso.

Antes que me chamem de ranzinza ou de mal-humorado, quero que fique bem claro que existem várias formas de diversão, e que não sou contra o carnaval, apesar de nunca ter gostado, sou contra a maneira com que algumas pessoas se portam neste período de festas. A alegria tem várias cores, mas jamais as cores da desordem e da falta de educação. Em tempo: para quem gosta, na Bahia de todos os Santos ainda tem alguns gritos de Carnaval.


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