quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Nelson Ubaldo

Desrespeito

Publicado em 27/02/2019 00h10

Fica cada vez mais difícil fugir de assuntos que nos remetem a desgraças, uma vez que estamos cercados delas. A cada dia temos notícias de enchentes devastadoras, não só de bens patrimoniais, mas de vidas, principalmente nos grandes centros urbanos. Temos desastres ambientais, é bem verdade, que ceifam inúmeras vidas, mas o que mais podemos testemunhar são as vidas interrompidas, pela ação (ou pela falta de) daqueles que teriam a responsabilidade de zelar pelo bem-estar dos seus mais próximos. Tenho a impressão que estamos vivendo uma espécie de modo de vida como a da letra da música cantada por Elza Soares, que diz que “a carne mais barata do mercado é a carne negra”. Se trocarmos carne negra por carne pobre, teremos um retrato muito acurado do descaso com que as autoridades tratam a vida de inúmeras pessoas, principalmente as mais desamparadas e carentes. 

A ganância faz com que fiscais, por exemplo, deixem de fiscalizar adequadamente estabelecimentos, e então temos casos como o da Boate Kiss, o estouro das represas de Mariana e Brumadinho, o incêndio de um centro de treinamento de um clube de futebol, o mais popular do país, mas que trata com descaso a vida de pessoas que serviam o clube. Se quisermos ultrapassar as fronteiras de nosso país também temos exemplos abundantes de descaso para com vidas humanas. Na nossa vizinha Venezuela, um indivíduo inescrupuloso está fazendo, em nome do poder, um governo totalitário às custas de vidas, que mata pela fome ou pela via rápida, com o falso discurso de crime contra a pátria para aqueles que se opõem às suas ideias. Ditadores na África, no Oriente Médio, na Ucrânia, na Rússia, também assim agem. O todo poderoso e defensor da democracia, os Estados Unidos, enriquece com a indústria bélica, pois fornece armamentos para inúmeras nações em conflito, e mais, fomenta esses conflitos. 

Não podemos aceitar que comunidades em risco, morando em encostas dos morros das grandes cidades, continuem lá para se tornarem manchetes de novas catástrofes atmosféricas. A culpa não é das intempéries e sim das autoridades que não fazem obras de contenção, que não fazem a desocupação dessas áreas. A culpa é das autoridades que permitem a construção de represas a montante, fazendo com que a população conviva com uma sentença de morte, pela ganância de empresas que não cumprem com as leis, com a vista grossa dos fiscais que levam propina para falsificar laudos de segurança e pela polpuda soma de valores que autoridades recebem para não mexer com empresas, na mais esfarrapada desculpa de que geram divisas e empregos. 

Estas práticas precisam ter fim, caso contrário estaremos lamentando, em breve, muito mais vidas. Precisamos valorizar o que de mais importante existe em uma nação, que é o patrimônio humano. Precisamos exigir apenas que as leis sejam cumpridas e que as tragédias inevitáveis sejam apenas as inevitáveis, pois a ação do homem pode sim salvar vidas e que a prevenção sempre foi infinitamente mais barata do ponto de vista material, sem levar em conta o custo de uma vida, que não tem preço.


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