quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Nelson Ubaldo

Tragédia anunciada

Publicado em 30/01/2019 22h14

No ano de 2015, o rompimento de uma barragem em Mariana, Minas Gerais, foi até então o maior desastre ambiental do país, ceifando 19 vidas e acabando com a renda de muitas famílias ribeirinhas, sem contar com o dano ambiental irreparável. A mineradora Samarco, uma subsidiária da Companhia Vale do Rio Doce, foi autuada com multas milionárias para indenizar famílias e minimizar os estragos ao meio ambiente, porém, o tempo foi passando, o apelo da imprensa se calando, as multas foram reduzidas e, pior, até hoje não pagas. Na ocasião, cerca de 62 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos de minério foram devastando tudo o que encontravam pela frente, não poupando absolutamente nada. Não há registro de punição de culpados, não há registro de indenização das famílias pelo infortúnio patrimonial, nem mesmo para as famílias que contabilizaram perdas de vidas. 

Penso que num país minimamente sério, cujas leis devem servir para fazer justiça, os culpados deveriam ser exemplarmente punidos por estes crimes, julgados e cumprir penas de reclusão, pois não se trata de um desastre natural e sim de uma ação do homem, que, certamente, não cumpriu normas ambientais. Por certo, propinas foram pagas para que fiscais fizessem vistas grossas e medidas de segurança não fossem executadas, pois caso contrário não ocorreria tragédia daquela magnitude. Aquele triste acontecimento deveria ter servido de lição para que jamais acontecesse novamente. Só que não. A história se repetiu, desta vez em Brumadinho, também em Minas Gerais, com a mesma mineradora, que tem atividades espalhadas por grande parte do Brasil. Até o momento mais de 65 mortos e cerca de 290 desaparecidos oficialmente. Os danos ambientais são da mesma proporção que o desastre anterior, só que o número de vítimas muito maior. 

Fico a indagar: onde estavam as autoridades responsáveis pela fiscalização? Como a sede da mineradora fica a jusante de uma represa que pode romper? Por que os responsáveis pela empresa não estão na cadeia? Pergunto mais, quando acontecerá a próxima tragédia? Infelizmente, é uma questão de tempo para que outras represas que não estão dentro das normas de segurança possam romper e causar novos estragos. De acordo com levantamentos técnicos, esta represa no Vale do Feijão, em Brumadinho, não oferecia riscos, e mais, havia, de acordo com relatórios oficiais, todo um aparato de segurança com monitoramento contínuo e sirenes para avisar a população em áreas de risco. Isto ocorreu? Claro que não. Se esta represa que rompeu estava em desuso, arrisco a dizer que estava em total abandono de monitoramento, pois caso contrário não teria ocorrido esta imensa tragédia. 

Meus caros amigos, os desastres ocorrem e são imprevisíveis, portanto precisamos tomar cautela, mas o que ocorreu em Brumadinho não foi um acidente, foi uma série de acontecimentos por falta de cuidado, por ganância, por desvalorização de vidas, por troca de favores e muitas negociatas escusas. O que lá ocorreu foi um crime que precisa ser exemplarmente punido para evitar que novas tragédias ocorram. Somente com punição medidas deverão ser tomadas para evitar novos desastres onde a ordem natural prevaleça ou seja, a vida humana é sempre mais importante que o lucro a qualquer preço.


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