quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Nelson Ubaldo

Aquarela

Publicado em 23/01/2019 00h10

Impressionante como o povo reage a uma situação que já teve fim, como o caso das eleições em outubro, onde achou por bem dar uma guinada à direita. O que estamos vendo são as pessoas, de ambos os lados da contenda, esticando o confronto como um trunfo, do lado vencedor, e uma imensa lamúria com tentativa de desestabilização do lado perdedor. Já me referi anteriormente que a fatia voltada à esquerda parece estar disposta não só a fiscalizar as ações do novo governo, mas também em contribuir de alguma forma para criar obstáculos, como se ela fosse imune às mazelas de uma má administração. Por outro lado, o amadorismo do presidente eleito, que não parece ter assessoria adequada, fala muito e nem sempre há consonância com sua equipe. Por vezes parece que há um descompasso entre os diversos setores do alto escalão, sendo que o que se diz agora precisa ser corrigido a seguir, criando assim uma desconfiança até mesmo naqueles que lá os colocaram.

Vou mais além, entendo que há muita conversa de ambos os lados, com provocações estéreis que só fazem aumentar o abismo de um país totalmente dividido em duas alas distintas, que estão dispostas a continuar se digladiando. É preciso lembrar que a campanha eleitoral acabou, que houve um vencedor, que este é da ala direitista e que será o presidente de todos, fazendo uma boa ou má administração. A boa ou má gestão atingirá indiscriminadamente todas as tendências. Precisamos mais carne e menos verbo. Precisamos mais suor e menos saliva. Precisamos de mais calo nas mãos que nas cordas vocais. É claro, que nem tudo está ensaiado no novo governo, precisamos dar um crédito, mas com o senso crítico apurado, não com oposição a qualquer preço. Isto é válido para os dois lados, sendo uma estupidez da parte da cúpula executiva bradar que faria (e fez) uma limpa ideológica, exonerando de todos os cargos as pessoas ligadas aos partidos opositores do novo governo.

Fico a pensar que esta prática de extermínio não casa com um discurso liberal, pois não acredito que todos os exonerados fossem incompetentes, sua exoneração se deu por motivação revanchista. É claro que o novo governo precisa sim nomear pessoas alinhadas com sua linha ideológica, mas fico a pensar se entre todos os indicados pelo governo anterior não havia ninguém capaz e com viés técnico. Por outro lado, existe muita interpretação ao sabor da vontade ou da ideologia. O discurso da titular da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, ao se referir metaforicamente, como ela mesma esclareceu, que meninos usam azul e meninas cor de rosa, foi um prato cheio para a oposição tecer críticas, por ser ela uma evangélica e acenar para uma linha extremamente conservadora, o que vai de encontro à política menos ortodoxa da esquerda.
Mas, o que a oposição não fez referência, na fala da ministra, é que ela garantiu não haver discriminação a grupos LBGT e afins, tendo apenas destacado valores mais tradicionais, conforme explicou posteriormente a ministra. Penso que a paleta de cores não deva servir para discriminação, muito menos para a divisão de pessoas, classes ou gêneros. Afinal, somos todos iguais, braços dados ou não, como diz a lendária letra da musica do genial Geraldo Vandré e, mais importante que a cor que vestimos, é a maneira como nos portamos e as virtudes que conduzimos.


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