segunda, 17 de junho de 2019
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Quarta Crítica - Nelson Ubaldo

Faltam palavras

Publicado em 03/01/2019 00h36

"A falta de leitura cria uma legião de desinformados”.

Em nosso país o hábito da leitura é cultivado por poucos. Infelizmente o que estamos vendo é um povo com muita informação, mas com pouca formação. Explico. As informações estão vindo em diversas plataformas e, sobremaneira, pelas redes sociais, uma espécie de jornal moderno, mas sem filtro, sem certidão de veracidade, ao melhor estilo das brincadeiras de infância, como o “telefone sem fio”, onde se passava uma pequena história sussurrada ao ouvido de quem estava ao lado, o qual fazia o mesmo com o próximo participante e, no final, a informação chegava muito distorcida, muito diferente de sua origem e, pior, a maioria das vezes com significado diferente. Nas redes sociais assim está acontecendo, as pessoas dão seu toque pessoal à informação para parecer do seu agrado, sem o compromisso com a origem, muito menos com a verdade, apenas com a sua vontade, pois, como sabemos, não há órgão regulador além do compromisso moral de cada um que repercute a informação.

As crianças de gerações pós-internet, se antes já tinham pouco hábito da leitura, passaram a substituir o livro, a leitura, pela informação mais instantânea. Não estou desqualificando a informação séria, apenas estou afirmando que está disponível no mercado cibernético todo tipo de informação, muitos sites não passam pelo crivo da seriedade jornalística e, com isso, estamos criando uma nova geração que nem sempre faz as melhores escolhas do que utilizar para se informar. Tenho a impressão que estamos criando gerações pouco comprometidas com a informação e muito distante das livrarias. A triste realidade que enfrentamos é que os jovens não leem, haja vista a crise nas empresas ligadas à impressão gráfica - a maior empresa do setor gráfico, que produz inúmeras revistas no país está em sérios apuros financeiros - bem como as duas maiores redes de livrarias.

Isto é mais que lamentável, é trágico, pois as pessoas estão a cada dia que passa menos eruditas, com cada vez menos vocabulário, num total abandono literário. Mais e mais livrarias deverão ser fechadas, e não há a desculpa de que as pessoas estão comprando livros via internet, pois o setor livreiro também está à beira da falência. Temo que com este novo cenário, até a nossa língua seja ameaçada, uma vez que o idioma é vivo e se moderniza com passar do tempo (sim, isto é necessário), vemos que muitas palavras, como as mais rebuscadas e ricas em nosso vernáculo, estão constantemente entrando para a classe do desuso, ao ponto que quando uma pessoa as utiliza passa ser motivo de chacota, o que é mais que lamentável, é catastrófico.

Precisamos fazer uma cruzada literária, precisamos estimular o hábito da leitura em casa aos nossos filhos, mostrando a eles que somente a boa formação cultural irá prepará-los melhor para o mundo, e que somente a graduação formal universitária não garantirá uma visão mais ampla do mundo. Precisamos muito mais que ser técnicos, precisamos entender de sociologia, de geografia, de história, de conhecimentos gerais, de tudo que somente uma boa leitura pode nos proporcionar. Precisamos ser amigos das letras, das livrarias, da boa e séria informação, porque senão nos faltarão muitas palavras.


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