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Quarta Crítica - Nelson Neves

A sandice geral

Publicado em 21/07/2017 06h00

Sempre considerei que a versão do politicamente correto nada mais é que o fruto da sagacidade que alguns poucos inventaram para seduzir e enganar uma maioria desprovida de um grau de inteligência minimamente aceitável, daqueles que veem no simplismo absoluto uma forma de vida. Aqui no Brasil, temos a mania de chamar de burro qualquer um que discorde de nossas opiniões, e somos valentes em discussões tolas na mesa do bar, botecos e encontros casuais, onde a fala solta, toma assento no lugar da tenência. Li outro dia, na revista “Planeta”, uma matéria que trata exatamente deste tema, a burrice, e resolvi trazer parte da mesma à consideração de quem me dá o prazer da leitura desta despretensiosa coluna.

Uma definição convincente foi dada pelo historiador e economista italiano Carlo Cipolla: “Uma pessoa burra é aquela que causa algum dano a outra pessoa ou a um grupo de pessoas sem obter nenhuma vantagem para si mesmo - ou até mesmo se prejudicando”. Para Cipolla, a burrice tem três características fundamentais: 1) “Ela é inconsciente e recidiva: o burro não sabe que é burro e tende a repetir várias vezes o mesmo erro”. Tais características contribuem para dar mais força e eficácia à ação devastadora da burrice. A pessoa estúpida não reconhece os próprios limites, fica fossilizada em suas convicções particulares e não sabe mudar. Por isso, como diz o psicólogo italiano Luigi Anolli, “no âmbito clínico, a burrice é a pior doença, por ser incurável”. O estúpido é levado a repetir os mesmos comportamentos porque não é capaz de entender o estrago que faz e, portanto, não consegue se corrigir.

2) A burrice é contagiosa. As multidões são muito mais estúpidas que as pessoas que as compõem. Isso explica por que populações inteiras (como aconteceu na Alemanha nazista ou na Itália fascista) podem ser facilmente condicionadas a perseguir objetivos insanos, um fenômeno bastante conhecido na psicologia. “O contágio emotivo próprio do grupo diminui a capacidade crítica”, explica Anolli. “Percebe-se a polarização da tomada de decisão: escolhe-se a solução mais simples, que na maioria das vezes é a menos inteligente”.

3) Além da coletividade, há um outro fator que amplifica a burrice: estar numa posição de comando. “O poder emburrece”, afirmava o filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Por quê? Quando estão no poder, as pessoas muitas vezes são induzidas a pensar que, justamente por ocuparem aquele posto, são melhores, mais capazes, mais inteligentes e mais sábias que o resto da humanidade. Além disso, estão cercadas de aduladores, seguidores e aproveitadores que reforçam o tempo todo essa ilusão. Dessa forma, quem está no governo chega a cometer as mais graves faltas com a aprovação geral”. Por tudo que já passamos, estamos passando, e nada se faz, resta uma evidência: há uma “sandice” generalizada neste país.


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