quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Nelson Neves

Brasil, o país do brechó

Publicado em 12/04/2019 00h05

Percorrendo qualquer cidade, nos deparamos com placas com os dizeres “Compra, vende, aluga ou troca”, quase sempre vinculados ao comércio imobiliário ou atividades afins, pois por aqui, no país das maravilhas, o que importa é fazer de tudo um pouco, sem necessariamente saber fazer bem qualquer coisa. Sabe-se de longa data que o homem desde sempre teve consigo este espírito mercador, exceção ao período em que o escambo era a única forma de fazer girar as mercadorias e, por consequência, o dinheiro e a riqueza. Também é indene de qualquer dúvida que na história da humanidade poucos ganham muito e muitos ganham pouco, não comportando aqui qualquer tipo de objeção, já que ao povo sempre coube e cabe fazer a roda girar e aos privilegiados se beneficiar com a energia produzida por este movimento, por isso sempre se fez questão se manter a força laboral como uma massa disforme.

Não há quem acredite numa sociedade justa, igualitária, fraterna e liberdade, exceto como tese ou slogan de uma revolução, já que é certo que o homem trás no seu DNA a coisa da superioridade ao outro e cultiva desde sempre a supremacia de seus iguais. O poder é embriagante, por isso Maquiavel afirmou que “dê o poder a um homem e descobrirá quem realmente ele é”. A frase do pensador se tornou uma máxima e tem viajado através do tempo, pois, apesar dos séculos, ela se confirma a cada dia e com certeza, será uma eterna constatação. Tempos depois, o presidente norte americano Abrahan Lincoln igualmente asseverou, “se quiser pôr a prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”. Aqui na terra de Gonçalves Dias, poeta, advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo, autor do poema Y Juca Pirama, cuja leitura se recomenda, ao contrário dele, a hipocrisia e insensatez tomaram assento e os abantesmas se revezam a cada quatro anos, num quase monopólio do poder. 

Atualmente, estes sórdidos cavaleiros do apocalipse continuam sua empreitada rumo à destruição da pátria amada, da família e de todos os interesses republicanos, por puro e genuíno despeito, a eles pouco importa os interesses da sociedade, desejam o poder a qualquer custo, literalmente, pouco se importando com aqueles que lhes garantem a vida nababesca que levam. Os tristes espetáculos que temos assistido na Câmara e Senado Federal é de uma tristeza formidável, eles nos envergonham ao extremo e não poupam nada e ninguém de suas intenções para lá de lamentáveis, são atores de uma comédia do absurdo, que infelizmente conta com o beneplácito da grande mídia, acostumada com a dinheirama pública derramada regiamente todo mês em seus cofres. 

Uma boa parte dos brasileiros deseja, anseia por uma mudança de comportamento, de paradigmas, mas a compra, venda, troca e aluga lá em Brasília continua com toda a força, e, se a sociedade não se movimentar, esta prática abominável nos vencerá e continuaremos a ser o país do brechó.


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