quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Nelson Neves

O Carnaval

Publicado em 15/03/2019 00h10

O Carnaval, que etimologicamente significa “abster-se da carne” e dá início à Quaresma, é um festival que tem origem no cristianismo ocidental. Na península ibérica, era uma festa popular com máscaras e com um escasso texto, que introduzia galanteios a cada tipo de disfarce. Em Portugal, era inicialmente conhecido como “entrudo”, festividade que consistia na brincadeira de atirar água uns nos outros, às vezes também usando farinha ou ovos. Em várias partes do mundo era uma festa para brincadeiras, com fantasias, adereços, com o escopo único de diversão. Por outro lado, a figura do rei Momo, como é conhecido hoje, era na cultura grega um personagem mitológico, que personificava a ironia e o sarcasmo, sendo que no Brasil este personagem foi adaptado como representante maior das festas de Momo.

Assim, o Carnaval tinha uma concepção de festa, com várias brincadeiras, pessoas utilizando fantasias, com a criação de pequenos blocos, onde todos usavam a mesma vestimenta e entoavam determinados cânticos, sempre em tom leve, com o intuito de aproximar e divertir os participantes. No Brasil se tornou uma festa popular e é até hoje insuperável, sendo reconhecida como a maior festividade do mundo, com números gigantescos de foliões, escolas  e blocos. Dura normalmente cinco dias, tendo seu fim na chamada Quarta-Feira de Cinzas. O Carnaval, como foi concebido, era uma festa popular que reunia todas as camadas sociais, sem qualquer tipo de diferenciação. No entanto, vem paulatinamente sendo desviado de suas origens, cedendo lugar a futilidade, ostentação, sexualização dos mais jovens, todo tipo de excesso comportamental, falta de respeito, afronta aos valores mais comezinhos da sociedade civil e, em muitos lugares, uma selvageria inominável.

As escolas de samba, que sempre contaram histórias em seus enredos, hoje viraram um centro de deboche e uma oficina do socialismo mais recalcitrante, não poupam nada e ninguém e derramam sobre a pista, desde a comissão de frente, suas alas, alegorias e o samba enredo, verdadeiras ofensas à família e ao valor mais tradicional que é o respeito entre as pessoas. Este ano não foi diferente, a escola campeã do desfile no Rio de Janeiro tratou da desconstrução dos heróis nacionais, desde Cabral até Duque de Caxias, e exaltou solenemente supostos heróis, inclusive a vereadora Marielle Franco, do Psol. Com certeza a ênfase na figura desta política foi justamente para angariar votos dos politicamente corretos.

Deu resultado a estratégia, a escola se sagrou campeã, embora outras tivessem muito mais condições de ganhar o tão cobiçado troféu. Saindo das escolas, blocos foram utilizados para o mesmo fim político, desdenhando da sociedade que quer e está precisando, mais do que nunca, de paz social e respeito entre os diversos grupos que compõem o tecido social. Os brasileiros merecem coisa melhor, não necessitam de uma incitação deste calibre, que em nada contribui para o crescimento socioeducacional. Este estado de acomodação do povo não é mais compatível com quem deseja um país mais vigoroso, com instituições mais fortes e dias melhores. Ao fim deste Carnaval, se Antônio Gramsci vivo fosse, estaria em êxtase total.


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