domingo, 24 de março de 2019
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Quarta Crítica - Nelson Neves

A escolha

Publicado em 07/12/2018 00h10

No mundo real, um maestro escolhe seus músicos, um diretor seus atores, um empresário seus colaboradores, um profissional opta por um ramo de sua atuação, no entanto, no cargo máximo da nação, um presidente fica refém de um infindável número de condicionantes, mormente a política e assim, na maioria das vezes, não escolhe os melhores. Todo período pós-eleitoral tem a famosa, temida e pulsante corrida a cargos, uma cantilena que todos conhecem, mas que por obra, destino e forças ocultas, como dizia o tresloucado Jânio Quadros, acabam embalando Mateus, pois nesta modalidade de ascensão política tudo pode acontecer. Neste governo que ora se inicia, a galope de um partido sem expressão e por isso sem um quadro de militantes qualificados, mister se faz, além das composições necessárias, um arregimentamento de pares, que como consabido, ele não tem, o que torna a vida do futuro mandatário ainda mais difícil e penosa.

Ninguém governa sem maioria e formar esta é que é o problema, nossos congressistas e representantes de partido não têm quase ou nenhuma indulgência com a nação e a briga renhida opõe quase que imediatamente os antes parceiros e expõe a um nu quase obsceno as divergências de interesses e a busca por benesses as mais variadas e rentáveis. No tilintar dos dedos, este modelo de composição nos traz à lembrança a célebre frase de Getúlio Vargas, “No ministério tem gente capaz, o problema é que a maioria é capaz de qualquer coisa”.  Por óbvio que não se cogita um governo indene de qualquer conflito, pelo contrário, eles acontecerão mais cedo do que se imagina, já que, como dito antes, neste modelo político, o governo se assemelha a uma colcha de retalhos.

E é exatamente nesta costura de tecidos diferentes que reside o grande problema da governabilidade, pois como tradicionalmente tem acontecido, o chefe da nação literalmente dorme com o inimigo, para se dizer o mínimo, no caso presente, há fundados receios até do “fogo amigo”. No atual contexto, o presidente não tem muita escolha, ou o bicho pega ou o bicho come, portanto caberá a ele correr contra o tempo e, tal qual um enxadrista, conceber um número considerável de jogadas antecipadas, sob pena de ver-se encurralado pela turma fisiológica de sempre, o que o jogaria na vala do “mais um”. Os tempos são de muitas dificuldades, principalmente para desaparelhar os órgãos estatais, lotados até a medula de personagens nada interessados em mudança, bem como desmontar este Estado gigante e voraz, que tudo quer e nada retribui.
Não há mais espaço para centralização do poder e do cofre único, impõe-se, mais que nunca, atribuir aos entes federados mais poder e às cidades mais dinheiro, pois é nelas que o contribuinte vive. Caberá ao novo governante abrandar os vícios do poder, não se encastelar, não querer a bajulação como forma de se envaidecer e lembrar diuturnamente que a vida do seu povo está aqui na rua, onde os clamores estão despidos de outras interpretações. Da mesma sorte, importante é ser o exemplo, trabalhar com afinco e dentro do factível e, sobretudo, manter ao alcance de todos e sob a luz do sol os seus atos.


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