domingo, 24 de março de 2019
Facebook Instagram Twitter Youtube
48 3053-4400

Quarta Crítica - Nelson Neves

O voo do condor

Publicado em 09/11/2018 00h10

No Brasil sempre se teve a cultura do direito, do bônus, do Estado-pai, mas que concomitante e sorrateiramente aplica a seu povo uma espécie de capitis diminuti, (diminuição ou perda de autoridade)  para que este não consiga reverberar de forma sintonizada e positiva seu próprio valor, com projetos que se traduzam num bem estar coletivo. Aos romanos esta alusão se fazia familiar, pois os introdutores da medida, no entanto, mal sabiam eles que o instituto ainda ecoaria no tempo por séculos e que mesmo durante tamanho interregno, ele sobreviveria com esta intensidade e que, por muito pouco, não se instaurou de forma definitiva nos últimos anos nesta nação. Lá pelos lados da terra de Jean Paul Sartre, com a certeza de um Estado que tudo podia, a indomada rainha Maria Antonieta ou simplesmente Antoinette (1755/1793), disse sem sequer ruborizar, “Se não têm pão, que comam brioches”, marcando seu reinado e também hoje resta citado para  demostrar um Estado grande e o quão grande era o descaso com o povo.

Aqui nesta terra que já foi filial campeira de um troncho reinado, já se viu de um quase tudo, um marechal que desconhecia a amplitude de república, passando por figuras de todos os matizes, menos democráticos, tratavam e tratam o Estado como quintal próprio, com seus brinquedos e amigos de farra, donos das camisas e da bola e que sempre se fartaram na mesa do poder. Nunca mudou muito, uma mesmice de gente sem muita expressão e nenhum pedigree, lobos avarentos em pele de cordeiro, que via de regra, fazem questão absoluta na manutenção do status quo para a sua eternização no mando, na escolha promíscua de apaniguados e que dão eco à frase da monarca. Na nossa história recente, tivemos um plebeu que foi alçado à condição de príncipe e que gozou como poucos dos prazeres do poder, vestiu-se de gala, adorava as pompas e apreciava a si tal qual Narciso, foi reverenciado, aplaudido, no entanto, a máxima do dito popular prevaleceu, deixou a favela, mas a favela nunca o deixou e aí, foi um pulo para o ocaso e o merecido ostracismo.

Temos agora um novo momento, uma aposta alta, tipo All In na forma de substantivo e de adjetivo, no entanto mais que nunca, é oportuno e até didático que lembremos da história do condor, uma ave exuberante, que vive na Cordilheira dos Andes, com seus quase  três metros de asas, um ás do espaço, que pode viver até 70 anos, mas que aos 35 tem que tomar uma decisão definitiva. O condor, quando atinge 35 anos, está com suas garras fracas, seu bico quebradiço e sua plumagem velha, cabe a ele a decisão de aceitar o seu estado e acomodar-se até a morte ou lançar-se em um voo até o alto dos rochedos, onde faz um ninho, bate com seu bico na pedra até este cair e espera um novo nascer, com o novo bico arranca suas garras, com elas renovadas arranca suas penas pesadas, espera nova plumagem e está revitalizado, levanta voo para viver mais 35 anos. É o voo do renascimento.

No último dia 28, a maioria do povo e, portanto, o país, fez a opção do renascimento, então se tem que saber e entender que, para que isto se torne realidade, o bico tem que ser quebrado, as garras arrancadas e a plumagem renovada. Não deve existir direito sem dever, bônus sem o ônus, são condições absolutas para este voo que agora deve ter início.


VOLTAR
Notisul - Um Jornal de Verdade
LIGUE E ASSINE (48) 3053-4400 Rua Ricardo José Nunes, 346 - Jardins de Pádova - Santo Antônio de Pádua - CEP: 88701-571 - Tubarão/SC
Copyright © Notisul - Um Jornal de Verdade 2017. Desenvolvido por Demand Tecnologia e Bfree Digital