domingo, 26 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Nelson Neves

Camaleão

Publicado em 12/10/2018 00h14

O camaleão é um réptil pertencente a família dos chamaeleonidae, uma das famílias mais conhecidas de lagartos, existente em várias partes do globo, principalmente na ilha de Madagascar, um país insular no Oceano Pacífico. O camaleão é um animal dono de características bem peculiares, como, por exemplo, a mudança de cor para se adequar ao ambiente e fugir de seus predadores, o comprimento de sua língua e a rapidez com que a usa para capturar insetos para sua alimentação. Em função de tais características, a linguagem popular transmudou este substantivo para um adjetivo, com o fito de identificar aquelas pessoas que mudam rapidamente de opinião e ou postura para se recompor diante de fatos e situações, sendo comum dizer que aquele indivíduo assume postura camaleônica, ou seja, esperto, rápido e que se faz uma reengenharia pessoal para estar bem com todos.

Agora, no  segundo turno das eleições presidenciais, temos um partido camaleão, que literalmente trocou de cor, bem como usa sua longa e certeira língua à procura de vítimas desavisadas, expondo assim sua capacidade de se adequar às novas realidades, sem qualquer escrúpulo, expondo com enorme facilidade suas intenções nada republicanas de projeto de poder. Segundo a presidente do partido camaleão, o mentor-mor determinou as alterações e proibiu que o candidato “sukita” o visitasse na prisão e se abstivesse sempre que necessário de fazer citações de seu nome, ou mesmo incluir sua foto no material de campanha, tudo numa tentativa de descolar seu alterego da figura encarcerada. Estamos à frente, portanto, indene de qualquer dúvida, de um partido que, inobstante realçar sempre seu viés ideológico como um suposto dogma, tem agora enorme facilidade em trocar suas cores, modular seu discurso e esquecer temporariamente sua figura mais proeminente, tudo com o escopo único de um projeto tresloucado de poder e sua perpetuação.
O pior nesta história toda é que vivemos num país de gente pouco dada a leitura e que tem por hábito deixa-se levar por supostos encantadores de serpentes e suas flautas mágicas e lançadores de promessas benevolentes que induzem à estagnação de pensamento e comportamento, traduzido muito adequadamente na música de Zé Ramalho, “Admirável gado novo”. No mais, interessante também que, embora não comentado neste pleito, o trabalho dos marqueteiros políticos continua  a todo vapor e esta mudança súbita de cor e discurso é certamente fruto desta engenharia, sempre muito bem pagas com dinheiro costumeiramente não declarado e de origem duvidosa, mas que passa facilmente pelo crivo da nossa “Justiça Eleitoral”, através de doações ditas “legais e declaradas”, o que se sabe, que não é.

O dinheiro que irriga uma campanha deste porte é quase inimaginável para o cidadão comum, bem como são indizíveis as práticas cometidas por candidatos e partidos no afã da vitória, basta ver também o número de partidos e suas coligações, uma mais esdrúxula que a outra, que faz ruborizar qualquer cidadão sensato. O camaleão está aí à solta e ávido pelo poder, vamos ver se com o disfarce atingirá o seu desiderato. O segundo turno nos contará o resultado desta transformação oportunista.


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