domingo, 24 de março de 2019
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Quarta Crítica - Nelson Neves

O preito ao pleito

Publicado em 05/10/2018 00h12

No Brasil nós temos eleições a cada dois anos, o que deve ser um recorde mundial, digno de se consignar no Guinness Book. Desde sempre ouvimos a mesma cantilena da reforma política, no entanto entra e sai legislatura e nada acontece, salvo novas chicanas legais que visam beneficiar a classe política em detrimento da vontade popular. A cada biênio, somos instados a votar em vereador, prefeito, deputado estadual, governador, deputado federal, senador e presidente da república, uma verdadeira maratona eleitoral, a um custo quase inimaginável aos já combalidos contribuintes, sem se falar na ladainha que se repete a cada eleição em termos de promessas, além da fauna de candidatos cada vez mais pródiga. Cabe anotar que, com o advento das urnas eletrônicas, amplamente aplaudidas inicialmente, temos o resultado apurado em questão de horas e supostamente indene de qualquer dúvida, fato aclamado em alguns lugares do mundo, porém esta forma de apuração é utilizada em meia dúzia de países, normalmente aqueles tidos como menos democráticos.

Embora tenha dito que somos instados a votar, leia-se obrigados a votar, sob pena de sanções legais, como não poder assumir cargo público, pagar multa e por aí vai, sem esquecer que para realização da eleição é necessário convocar milhares de cidadãos para trabalhar no dia da votação e, para tanto, visando uma compensação, porque livremente ninguém vai, se estipulou folga em número dobrado aos dias dedicados à Justiça Eleitoral. E assim caminha nosso país, eleição após eleição, e muito pouco se muda, e o pior é que mesmo com tantas eleições, tantas oportunidades, o brasileiro não aprende a estimar tão importante acontecimento e igualmente não reconhece que com o voto pode mudar tudo, que a cada dois anos novos horizontes podem ser descortinados e uma vida melhor e mais tranquila pode deixar de ser apenas uma figura de retórica em período eleitoral.

Falta ao brasileiro vontade, falta engajamento, falta memória e, sobretudo, falta educação para querer mudar, somos coniventes com o sistema, aceitamos pacífica e cordialmente as regras que nos são impostas por aqueles que deveriam zelar por nós, não nos importamos com fatos absolutamente relevantes para nossas vidas, deixamos correr frouxos aqueles que elegemos e que não nos dão respostas. Agora, neste exato momento, na calada da noite e à revelia da sociedade, conchavos estão sendo feitos e fechados para que muitos dos mesmos sejam reeleitos, novas táticas e estratégias estão sendo urdidas para mais um embuste eleitoral e o resultado disso todos conhecemos, uma perpetuação de nomes e sobrenomes no cenário político municipal, estadual e federal.

A sagacidade e loquacidade têm assento neste momento tão ímpar, a população deve estar alerta, pois nem tudo que reluz é ouro, e o voto deste final de semana selará a sorte do Brasil e dos brasileiros nos próximos quatro anos. Assim, independentemente de resultado, só nos cabe render preito ao pleito.


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