quarta, 23 de janeiro de 2019
Facebook Instagram Twitter Youtube
48 3053-4400

Quarta Crítica - Nelson Neves

As formas de violência

Publicado em 15/09/2018 08h00

Estamos assistindo a campanha eleitoral a vários cargos eletivos, presidente, senador, governador, deputado federal e deputado estadual e, por incrível que possa parecer, não há em nenhuma o mínimo de respeito ou elegância entre os candidatos. A violência verbal é tamanha que tem desestimulado o interesse do eleitor, que não consegue enxergar em nenhum dos pretendentes a qualquer dos cargos um alento, uma verdade, enfim, uma efetiva esperança a todos os reclames da população. Desde algum tempo, em nome de uma tal liberdade de expressão, os mandatários se esquivaram de sua responsabilidade de conter os excessos e incentivar a educação e o bom trato entre as pessoas. Não se pode olvidar que, pela sanha aos votos e manutenção do poder, o Estado passou de orientador a mero instrumento de permissividade, impulsionando o descalabro nas relações entre os cidadãos e as entidades públicas, bem como no convívio beligerante entre as pessoas.

Uma lástima que nosso povo, sempre dado à alegria e ao compartilhamento de afeto, esteja neste efetivo pé-de-guerra, num ambiente hostil que só tem recrudescido a cada dia o que nos levará à deflagração de uma rebelião popular, que só interessa a esta casta que durante duas décadas se autointitulava os varões de Plutarco e quando assumiram o poder, alçaram seus ideais maquiavélicos a ordem do dia. Pouco sobrou de um país que, por designação original, estava em rota para o sucesso, porém foi transformado em uma terra sem lei, com poderes claudicantes, que usam de todos os seus artifícios bélicos uns contra os outros, restando esta terra arrasada que temos hoje e que não encontra referência em qualquer outra época de sua história.

O que os candidatos a presidência têm dito no horário destinado ao programa eleitoral gratuito, pago com o dinheiro do povo, é próprio de discussão de botecos de quinta categoria, perderam a razão em tudo, são insultos, grosserias, condutas e planos antirrepublicanos, tal qual numa seara sem lei. É tamanho o despautério no que se vê, ouve ou lê, que quase todos se perguntam como um país de mais de 200 milhões de habitantes aceita essa gente rasteira com sua verborragia irresponsável, ultrapassada e, por que não dizer, delinquente, a postular o cargo máximo da pátria? Onde estão os homens de bem, aqueles que trabalham de sol a sol, que empreendem, que aplicam seus recursos em busca de melhorias nas condições sociais e financeiras de sua gente, que geram empregos e impostos, para contradizer toda esta estapafúrdia conduta perpetrada em horários nobres nos meios de comunicação?

A luta pela democracia, que é, segundo Winston Churchill, político inglês, o pior dos sistemas políticos, mas que não existe outro melhor, e em atenção e memória de Clístenes, devemos vigiar diuturnamente a conduta dos eleitos, exigindo sempre transparência, utilizando ainda o sol como desinfetante, para melhor nos ajudar nesta empreitada. Fora da educação não vamos encontrar saída para nossos mais elementares problemas, e só através dela poderemos ter um futuro redentor para que as riquezas possam ser partilhadas entre todos. Não compactuar com qualquer violência é dever nosso a cada dia.


VOLTAR
Notisul - Um Jornal de Verdade
LIGUE E ASSINE (48) 3053-4400 Rua Ricardo José Nunes, 346 - Jardins de Pádova - Santo Antônio de Pádua - CEP: 88701-571 - Tubarão/SC
Copyright © Notisul - Um Jornal de Verdade 2017. Desenvolvido por Demand Tecnologia e Bfree Digital