quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Via de regra...

Publicado em 25/04/2019 00h10

Caro leitor, o cenário econômico atual vivenciado por nosso país, fruto de políticas públicas baseadas no consumo, não na fortificação dos setores produtivos, ainda apresenta forte reflexo no nosso dia a dia. Segundo dados disponibilizados por fontes governamentais, a taxa de desemprego ultrapassa 12% da população economicamente ativa. Como reflexo, a natural redução do consumo e seus efeitos correlatos. Os números indicam retração de diversos setores, como turismo, indústria e serviços. Com o endividamento das famílias, ainda reflexo da política de liberação de crédito indiscriminada, as prioridades passam a ser as necessidades básicas, e nada mais.

Se por um lado os números apontam a redução do poder de compra do brasileiro, as arrecadações tributárias proporcionalmente estão maiores. Não existem fórmulas mágicas para equacionar o problema, mas com certeza a redução do tamanho do Estado precisa ser considerada. Não há mais como continuar pagando impostos altíssimos, porém com baixa qualidade no retorno dos serviços públicos. Via de regra, os serviços públicos ofertados à sociedade brasileira são ínfimos, quando comparados a outros países com taxas tributárias equivalentes. Por exemplo, observe os pontos de parada de ônibus em seu município e verifique a qualidade, funcionalidade, etc. Observe o nível de conforto pelas vias onde trafega, ou ainda, as estruturas educacionais de seu bairro. Estamos longe do ideal, e em casos mais extremos, muito distantes do mínimo aceitável.   

O grande problema é que nos acostumamos com este descaso. Nos acostumamos a encontrar uma forma alternativa de lidar com as vias esburacadas, com a falta de estrutura nas escolas ou com a ausência dos pontos de ônibus. Ao nos acostumarmos, acabamos nos acomodando e perdendo o senso de coletividade necessário. Via de regra, não somos uma sociedade organizada e tampouco politizada. A recessão que vivemos atualmente talvez não seja somente financeira, mas de conceito. Vivemos uma realidade de economistas endividados. Opinamos muito, mas pouco fazemos. Somos acomodados. Nos acostumamos a receber as migalhas deixadas pela casta governante, financiada por nosso suor. Nos acostumamos a investimentos públicos sem qualquer tipo de planejamento. É como construir uma ponte que liga nada a ligar nenhum e num local onde não existe um rio, e mesmo assim, fazemos a inauguração de forma pomposa e aplaudirmos o feito.

É duro crer que nossa imaturidade cívica permita este tipo de situação, mas é nossa realidade. Nossos valores estão completamente invertidos. Hoje, o “bandido” é mocinho, ou melhor, vítima da sociedade, e o “xerife” é o repressor. Precisamos nos organizar, precisamos amadurecer e nos conscientizar de que os bens públicos são de todos nós, e todos temos responsabilidades. Não dá mais para continuar a tratar recursos/investimentos como se de ninguém fossem. Não dá mais para aceitar carregar este fardo pesado chamado Estado, que “confisca” mais de 1/3 de nossos frutos, nada produz e pouco retorna. O problema não está nos impostos, mas em não receber o retorno à altura dos recursos recolhidos. Se queremos realmente mudanças, precisamos nos organizar, mas principalmente parar de aplaudir investimentos em pontes que ligam nada a lugar nenhum. Reflitamos, e assim a vida segue...


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