quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Eu acho que é assim...

Publicado em 18/04/2019 00h10

Caro leitor, sei que constantemente exploro o tema neste espaço, mas realmente não há como fugir. Sou engenheiro civil e no exercício de minhas atividades profissionais é comum que as discussões sejam técnicas, porém a forma como estes diálogos técnicos ocorrem, dependerá diretamente do tipo de público onde o debate está sendo realizado. Logo, a forma de condução dos trabalhos em um ambiente composto somente por técnicos de mesma área é muito diferente de um ambiente onde exista pluralidade de ações e pensamentos. Ao participarmos de uma audiência pública, por exemplo, esta pluralidade é salutar na construção do pensamento e consequente nas definições técnicas que se seguirão.

O lado negativo deste processo está relacionado com a dificuldade em se filtrar as informações que nos chegam cotidianamente através das redes sociais. As redes sociais tornaram-se, ao menos para aqueles desprovidos de maior senso crítico e/ou investigativo, uma fonte de informação de elevada relevância. Lembro, no entanto, que a característica principal das redes sociais é permitir a interação rápida entre os indivíduos, e qualquer um com acesso a ela pode inserir informações. Ao se confiar cegamente nas informações repassadas através das redes sociais, corremos o risco de replicar inverdades e em casos mais extremos, criarmos pânico entre os envolvidos.    

Não se pode considerar como referência científica informações passadas e repassadas por qualquer um, através das redes sociais. Não são incomuns textos escritos sabe-se lá por quem, e repassados como se fossem escritos por alguém conhecido, na tratativa de dar credibilidade a uma ideia distorcida. O fato é que debates importantes não podem ser pautados meramente em dados apresentados nas redes sociais, uma fonte de informação aberta e sem a preocupação com a verdade. Em tempos onde o que prevalece é a leitura dinâmica e interpretação opinativa do texto, o achismo dificulta o diálogo e principalmente o consenso entre as partes. Nossa sociedade não está acostumada em dialogar de forma técnica, apenas no achismo. Na prática, é ser do contra somente pelo contra, afinal não há argumentos válidos. É o famoso “sim porque sim” ou “não porque não”.
É preciso compreender que o problema não é a rede social, mas sim a nossa preguiça em filtrar a informação que nos chega. Estamos ficando com preguiça de pensar e refletir sobre as informações que nos chegam. Como resultado, o que inicialmente parecer ser um questionamento ou posicionamento inteligente, facilmente é derrubado por quem possui realmente conhecimento sobre o fato, expondo a fragilidade argumentativa. Não há como se aprofundar em um diálogo onde uma das partes se fundamenta sem fontes confiáveis de informação. Em verdade, não há diálogo nestes casos, apenas exposição de pontos de vistas. Cuidado em repassar informações sem pesquisar a fonte/origem. Cuidado em se pronunciar em público apresentando dados manipulados ou fundamentados em parâmetros completamente fora do contexto. Ao contrário do que possa parecer, a sapiência não sai de moda. Reflitamos, e assim a vida segue...


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