quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Não estamos preparados

Publicado em 11/04/2019 00h10

Caro leitor, o advento das redes sociais, principalmente o WhatsApp, e sua consequente incorporação à nossa rotina de comunicação proporcionou uma interação nunca antes vista na história da humanidade. Hoje, graças a esta ferramenta, podemos nos comunicar facilmente, ignorando as barreiras geográficas. O dinamismo da comunicação permite, por exemplo, o diálogo em tempo real entre uma pessoa no Brasil e outra na Austrália, e o melhor, a um custo financeiro insignificante. O benefício de criar grupos, unindo vários usuários em prol de um mesmo interesse, igualmente dinamizou a forma como repassamos determinada informação. O lado negativo desta ferramenta está exatamente no fator humano. Salvo as devidas proporções, a humanidade não está preparada para tamanha interação.

Nossa imaturidade na utilização de tais ferramentas está criando lacunas em nossas interações pessoais, irreversíveis em alguns casos. Compartilhamos vídeos, áudios, correntes, etc., sem qualquer tipo de análise crítica ou cuidado em verificar se a informação é verdadeira. Servimos de massa de manobras para as famigeradas fake news, permitindo que uma inverdade circule o globo em questões de minutos. Não nos preocupamos com o compartilhamento de imagens que envolvam nudez ou violência, por exemplo, numa clara demonstração de desrespeito às pessoas que se tornaram objeto de tal compartilhamento.

Estamos diante do novo, e como tal, não sabemos lidar adequadamente. Se no mundo real, composto por pessoas reais e ambientes reais, somos moderados quanto ao uso das palavras, no ambiente virtual não temos a mesma preocupação. Não são raros os casos em que atritos são iniciados nestes canais, pelo simples fato do uso indevido e/ou equivocado das palavras.

Precisamos entender que o WhatsApp não é o melhor canal para importantes discussões, pois está acometido da subjetividade de interpretação do receptor, e é aí que mora o perigo. Em tempos nos quais a leitura dinâmica prevalece, muitas sentenças são mal interpretadas, gerando desconfortos entre familiares, equipes de trabalhos, etc. O egocentrismo e principalmente a sede em fazer prevalecer a nossa verdade, faz com que em muitos casos percamos completamente o senso democrático, impondo nossa linha e forma de pensar. Para uma sociedade que se auto intitula “moderna”, aplicar a prática da imposição, como feito outrora por reis nos tempos medievais, apresenta-se paradoxal.

Estamos retrocedendo. Perdemos a capacidade de dialogar e, num futuro próximo, voltaremos a nos comunicar por gravuras, exatamente como nossos antepassados, só que agora, pelos “emotions” dos aplicativos. Fica claro e evidente que nós, como sociedade, não estamos preparados para esta interação em tempo real. Como sociedade nos ambientes virtuais, perdemos o senso comum, o senso do ridículo e principalmente, o senso de realidade. Reflitamos, e assim a vida segue.


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