quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Planeta Mimimi

Publicado em 04/04/2019 00h10

Caro leitor, em uma galáxia qualquer existe o planeta Mimimi, habitado por indivíduos pseudo-inteligentes e cultos, dominantes, influentes e conquistadores. Os habitantes deste planeta, denominados Hominus Mimimuzentus, possuem hábitos peculiares. Esta espécie desperta somente com o sol a pino e não arruma sua cama, almoça e não lava seu prato, e quando acaba sua rotina “matinal”, finalmente se conecta ao wi-fi pago por seus progenitores (da espécie Paisopressoruns), e entope as redes sociais com reclamações sobre machismo, racismo, sociedade patriarcal, etc., etc.. Esta espécie, munida de um egocentrismo característico que a diferencia de outros seres, orgulha-se de sua intelectualidade, mas todos os indivíduos pensam igual, replicam os mesmos clichês e as mesmas frases de efeito, mas se consideram autônomos e afirmam constantemente que pensam por si mesmos e são independentes. 

  

Pois bem, essa espécie evoluída, desbravadora, resolve expandir seu mundo e começa aos poucos a invadir o planeta Mercado de Trabalho. O planeta Mercado de Trabalho é habitado por Hominus Operariunus, uma espécie não tão evoluída (ao menos na visão do Hominus Mimimuzentus), a qual possui a peculiaridade de adaptar-se às circunstâncias que lhe são impostas. Sabe que a manutenção de sua espécie somente existirá a partir de seus esforços e capacidade em lidar com situações diversas, através do diálogo franco e cordial. Entende que divergir de ideias ou ideais não significa necessariamente ser inimigo e, como tal, é possível a convivência pacífica entre seres de visões diferentes.


Enquanto que no planeta Mimimi seus habitantes estão acostumados a muito falar e nada fazer, no planeta Mercado de Trabalho, para a simples manutenção da vida, é exatamente o contrário. O planeta Mercado de Trabalho é um planeta difícil, e exige constante adaptações de seus habitantes. Apesar de sua superioridade, os Hominus Mimimuzentus apresentam dificuldades em conquistar este novo planeta. Fruto do egocentrismo que lhes é peculiar, não entendem o conceito de adaptação ao meio, e culpam os Hominus Operariunus por suas inabilidades laborais e sociais. Não compreendem que este novo mundo não gira em torno de seus umbigos, e que não há recompensa sem esforço. Neste novo mundo, não há Paisopressoruns para suprir suas necessidades básicas (comida, wi-fi, smartphones, etc.), e descobrem que, neste mundo, para comer a goiaba, primeiro é preciso plantar e cultivar a goiabeira.


No planeta Mimimi, é comum os Hominus Mimimuzentus dissertarem por horas sobre a qualidade, o tipo, os diferentes sabores do café, e até sobre seu processo de fabricação, mas não conseguem apreciar a bebida, pois não sabem prepará-la.  Esta é a espécie Hominus Mimimuzentus, uma espécie de que tudo fala e opina, mas pouco faz. Para a sobrevivência dos Hominus Mimimuzentus no planeta Mercado de Trabalho, só existe uma possibilidade: mutacionar para Hominus Operariunus. Reflitamos, e assim a vida segue.


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