quinta, 23 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Estamos adoecendo

Publicado em 28/03/2019 00h21

Caro leitor, imagine um mundo onde tudo fosse resolvido com soluções rápidas, imediatas e de uma simplicidade de dar inveja. Neste mundo, não há a necessidade de médicos psiquiatras ou psicólogos para traçar o perfil de comportamento humano; não há necessidade de engenheiros ou arquitetos para resolverem problemas relacionados ao uso e ocupação dos solos urbanos; não há a necessidade de jornalistas para esclarecer os fatos narrados em nosso cotidiano; não há necessidade de juízes para analisar o arcabouço jurídico de condenações ou absolvições. Neste mundo, talvez compreendido por alguns como “mundo ideal”, as soluções para todos os problemas da humanidade existem e são de fácil aplicação. Meu caro leitor, este universo paralelo existe e chama-se Redes Sociais.

Com o incremento das redes sociais em nosso cotidiano, a análise profunda dos fatos deixa de ter importância e dão lugar à simples e descompromissada opinião. Por exemplo, não faltaram “experts” manifestando sua opinião em relação ao fatídico acontecido na escola em Suzano/SP. “A culpa é dos jogos de vídeo games violentos”; “se houvesse segurança armado no portão da escola, isso não teria acontecido”.  Se isso, se aquilo, enfim, rapidamente busca-se um culpado, um gatilho para o desencadeamento da cadeia de eventos. Nossa imbecilidade em relação as redes sociais está se tornando tamanha, ao ponto de estarmos mais preocupados em registrarmos a tragédia através de fotos e vídeos, do que efetivamente preocupados com o fato em si. 

Quem não se lembra do acidente que vitimou, além do piloto, o jornalista Ricardo Boechat, onde vários “seres vivos” filmavam uma mulher que, desesperadamente tentava socorrer o motorista do caminhão envolvido. Ao invés de ajudar, estes “seres vivos”, apenas filmavam e narravam a cena. Em outro exemplo, um “ser”, ao passar por um terreno baldio e deparar-se com um estupro em andamento, ao invés de manifestar-se em prol da vítima, socorrendo-a, apenas limitou-se a filmar e narrar sua indignação. Observe, nos dois casos, a preocupação estava somente em registrar em vídeo o acontecimento, jamais em socorrer quem estava precisando. Na verdade, presumo que a humanidade não está preparada para as redes sociais e está interatividade em tempo real. Nossas ações estão sendo realizadas com o único propósito de alimentar um mundo paralelo e completamente inócuo. 

Ao simplificar a causa do fatídico ocorrido na escola em Suzano/SP, pelo uso de vídeos games violentos, por exemplo, desconsidera-se a análise mais ampla do comportamento humano, e os sinais que nos são apresentados diariamente de algo está errado. Afinal, se a culpa deste fato é realmente dos jogos de vídeo games violentos, o que explica a motivação da primeira e segunda grandes guerras (acontecidas antes do invento dos jogos eletrônicos)? Meus caros, todas estas discussões fervorosas que acontecem em nossas redes sociais, não passam de uma grande cortina de fumaça que esconde nosso adoecimento social e comportamental.  

Estamos adoecendo no âmbito familiar quando, ao invés de dedicarmos tempo, atenção e carinho aos nossos filhos, substituímos tais estímulos por um celular com acesso às redes sociais, escancarando uma porta ao desconhecido. Não estamos sabendo dosar a vivência entre mundo real e virtual. Estamos adoecendo e proliferando esta enfermidade. Sejamos menos “seres vivos” e mais “humanos”. Reflitamos, e assim a vida segue.


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