segunda, 18 de março de 2019
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Terceirizações

Publicado em 28/02/2019 00h33

Caro leitor, em ambientes corporativos o termo “terceirização” é aplicado quando determinado serviço e/ou atividade deixam de ser realizados diretamente pela empresa e passa a ser realizado por pessoas de fora da corporação, contratados especificamente para o fim que se designa. Comumente, serviços de limpeza, transporte, manutenções, apenas para citar alguns exemplos, costumam ser frutos de terceirizações. No mundo corporativo, a terceirização ocorre por vários motivos e que envolvem diretamente a transferência de responsabilidades por determinadas tarefas. Ao realizar o procedimento de terceirização, aquela preocupação e responsabilidade sobre o ato em si, deixou de ser do agente primário passando a ser de outrem.

Em termos práticos, terceirizar significa transferir a responsabilidade executiva para outra(s) pessoa(s), no intuito de melhor dissipar o foco de ações.     No entanto, as terceirizações não se limitam apenas aos ambientes corporativos, assumindo também funções em âmbito pessoal.  Fruto de rotinas frenéticas diárias, acabamos, mesmo que de forma involuntária, terceirizando responsabilidades que são exclusivamente nossas. Ao longo de um único dia, assumimos diferentes papeis, conforme a ocasião, ou seja, ora somos pais, educadores, operacionais, agentes financeiros, líderes, conduzidos, etc. Na verdade, talvez por não entendermos exatamente nossas funções diante dos diferentes papéis exercidos, acabamos terceirizando nossas responsabilidades primárias, em detrimento de outras ações digamos, mais prazerosas.

Estamos terceirizando tudo. Confundimos os conceitos envolvidos e transferimos a responsabilidade de educar, na essência da palavra, para as escolas, cujo a função primária não é educar, mas formar. Terceirizamos o afeto aos filhos através de equipamentos eletrônicos ou qualquer outro agente supérfluo que os mantenham ocupados, afinal, no seu curto tempo livre, o que você quer é assistir sua série favorita, não ter de dar a atenção educacional ao filho. Terceirizamos os diálogos em família, ou melhor, substituímos o diálogo em família por mensagens inócuas e vazias nas redes sociais. Terceirizamos nossas emoções e vivências por postagens manipuladas em redes sociais. Terceirizamos nossas alegrias por compartilhamentos “fake” nas redes sociais. Na verdade, estamos terceirizando tudo, inclusive nossas responsabilidades mais básicas. Não queremos educar, dialogar, interagir, enfim, estamos esquecendo de nossos deveres, apenas citamos os direitos.    

O hábito das terceirizações está tão enraizado em nosso cotidiano que nem percebemos que até nossa raiva passa a ser terceirizada, afinal, se algo deu errado, rapidamente se encontra um culpado (naturalmente um terceiro). Hoje, as redes sociais tornaram-se os espelhos de nossas terceirizações pessoais. Ali, terceirizamos nossas frustrações. Quando alguém coloca uma postagem de compartilhamento de um churrasco, por exemplo, umas poucas mensagens de apoio são postadas, seguidas de inúmeras mensagens do tipo “um animal foi assassinado para lhe proporcionar este prazer, você acha certo isso?” ou “este corte de carne não assa desta maneira”. Em verdade, viramos uma geração de frustrados e nos achamos no direito de terceirizar esta frustação culpando outros por nossas inabilidades sociais, pessoais e profissionais. Nos tornamos uma geração de chatos. Reflitamos, e assim a vida segue.

"O hábito das terceirizações está enraizado em nosso cotidiano”


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