segunda, 18 de março de 2019
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Distorções

Publicado em 22/02/2019 00h19

Caro leitor, gostaria de iniciar a nossa reflexão a partir das palavras de Augusto Branco: “Tarefa perigosa é falar aos pobres de espírito porque são habilidosos em distorcerem aquilo que ouvem de modo que basta dizer uma só palavra para que eles saiam a espalhar que você falou um livro inteiro exatamente oposto àquilo que você verdadeiramente disse”. Estas palavras, embora duras, refletem bem o contexto social em que vivemos. Em uma sociedade onde “TER” se sobressai ao “SER”, estamos repletos de exemplos de pronunciamentos de belos discursos cujo propósito limita-se apenas ao entreter, ou seja, um discurso que se utiliza de belas construções semânticas, mas que são em sua essência completamente inócuos.    

Em linhas gerais, estamos nos tornando pessimistas. É incrível a capacidade quase que irracional que estamos desenvolvendo para criticar. Ser do contra gera até um certo ar de intelectualidade, já que tal posicionamento sempre é amparado por alguma linha de raciocínio (mesmo que muitas vezes esteja completamente distorcida). Mas existe diferença entre “ser do contra” e “ser crítico”. Ser crítico é estar acompanhado de profunda reflexão, amparado conceitualmente e baseado em fatos, os quais são tabulados e trabalhados adequadamente. Já “ser do contra”, é simplesmente distorcer os fatos e julgar sem qualquer tipo de parâmetro técnico ou cognitivo. É munir-se de fracas ideologias, em muitos casos influenciadas por terceiros e com interesses nem sempre puros.
Divergir é salutar para o amadurecimento, afinal, durante uma cordial discussão, sempre somos oportunizados a refletir sobre uma nova perspectiva e/ou um ponto de vista até então não observado. Num universo altamente competitivo e acrescido por nossas vaidades, para muitos, “ganhar uma discussão” desperta sentimento de importância, de homem culto, inteligente, seres evoluídos e cheios de verdade. Estamos perdendo muito tempo na busca por argumentos para críticas, esquecendo-nos de elogiar e reconhecer. O ato de elogiar é simples, porém em tempos de alta competitividade, extremamente complexo. Estamos perdendo a vocação de enaltecer as coisas boas da vida, focando apenas e quase que inconscientemente nos aspectos negativos. Parece que em função desta alta competitividade diária e em diferentes níveis e estágios, torcemos para o fracasso alheio e não conseguimos estabelecer uma forma amigável de conviver em ambientes competitivos.

As habilidades em distorcer os fatos, ideias e pensamentos, em alguns casos assumem elevada relevância, fazendo com que aqueles menos esclarecidos do assunto, acabem corroborando com a distorção. Mas a pergunta que fica é: por quê? Por que nos damos ao trabalho de descontruir um discurso ou uma ação, pelo simples descontruir? O que realmente nos motiva? Talvez, enquanto estivermos preocupados apenas com a “pompa” de nossos status social, profissional, etc., nossa motivação em agir desta forma seja a ausência de capacidade de reconhecimento. Reflitamos, e assim a vida segue.


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