domingo, 26 de maio de 2019
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Quarta Crítica - Ismael Medeiros

Nossas “trajédias” não são tragédias

Publicado em 15/02/2019 00h10

Caro leitor, diariamente os meios de comunicação nos apresentam notícias que, se não nos atingem diretamente, no mínimo nos causam indignação pelo descaso que as ocasionaram. Dias desses, publiquei um texto falando sobre o colapso em infraestrutura que estamos vivendo, em função da desvalorização da engenharia. O texto obteve excelente repercussão, gerando debates não somente entre a classe de engenheiros, mas em vários outros eixos da sociedade. Na oportunidade, apresentei a tese de que o caos e o colapso na infraestrutura que vivemos hoje, são decorrentes do processo de descontinuidade de conhecimentos da década de 1980. Observe, lá se vão trinta e tantos anos, e somente agora estamos colhendo os “frutos” semeados naquela época. Logo, pela lógica, se iniciarmos um novo processo hoje, levaremos mais trinta e tantos anos para a nova colheita.

Se isso por si só já não fosse trágico o suficiente, repetimos o mesmo processo com a nossa educação. As políticas públicas educacionais, nas últimas três décadas, contribuíram para que tenhamos a realidade de analfabetos funcionais, ou seja, pessoas que conseguem ler e escrever, mas não conseguem interpretar adequadamente um texto ou simplesmente formular uma linha adequada de raciocínio. A descontinuidade, ou melhor, a falta de comprometimento governamental (independentemente da esfera) para com a educação, nos condiciona à escuridão. 
  
Em verdade, a educação não tem sido prioridade. Os investimentos em educação apenas representam números no cumprimento de obrigatoriedade legal. Não há comprometimento com a qualidade, apenas com as metas contábeis. E o pior é que esta filosofia de metas se aplica igualmente em outras áreas, como saúde, segurança, etc. Aos olhos de nossos gestores, são apenas metas contábeis. Nossas “trajédias” não são tragédias, mas sim a consequência de décadas de descontinuidades processuais. Não podemos culpar o acaso por nossas inabilidades e incompetências, fruto da continua inversão de valores e ausência de comprometimento para com aquilo que realmente importa. Nossa cultura ainda é baseada na “oportunidade”, não na qualificação. Infelizmente, salvo raríssimas exceções, deixamos de gerar ciência e tecnologia, afinal nossos condicionantes não são favoráveis para tal.

Ao deixar de investir em educação, na prática cria-se uma geração de manipuláveis, que se contentam com migalhas e permitem a perpetuação dos mesmos como classe dominante. Nossas “trajédias” não são tragédias. Nossa “trajédia” é fruto de nossa própria ignorância em não querer ver aquilo que está óbvio. Mas não se preocupe, a tragédia de hoje será rapidamente substituída por outra amanhã, num contínuo processo de dar às massas algo para entreterem-se ao longo do dia, para que a verdadeira “trajédia” continue em curso sem ser questionada. Incompetência e impunidade nunca andaram tão próximas. Reflitamos, e assim a vida segue.


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